Adicionar aos favoritos Meus posts favoritos 21/06/2018

Eu comecei a escrever este post sentada na poltrona do avião da AA, voltando para o Brasil. Aproveitei o tempo livre no voo para refletir sobre a minha viagem ao Japão. Foram 20 noites e 21 dias absolutamente encantadores! Acho que nunca absorvi tanta informação, história e cultura de uma vez só! Israel foi intenso também, mas como dessa vez eu passei 3 semanas, nada se compara! Cheguei à conclusão que mesmo depois de tanto tempo viajando por lá, eu mal comecei a entender toda a tradição desse país misterioso. Como a viagem foi muito longa, tenho MUITO o que contar, muita informação e muitas dicas que quero dividir com vocês! Peço um pouco de paciência porque vai ser difícil escrever tudo (e vocês sabem como eu gosto de colocar bastante detalhe) e vai ser especialmente difícil fazer a seleção, triagem e edição de todas as 50 mil fotos que eu tirei! Hahaha. Espero que o meu iCloud contribua e não demore para baixar as fotos no meu computador!! Tem essa também! Hahaha. De todo modo, resolvi começar por esse post introdutório, para ir tirando as principais dúvidas que vocês tiveram sobre a viagem, contar como organizei, o meu roteiro e também incluir informações sobre o Japão! O meu segundo post será sobre as curiosidades (e olha que não são poucas)! Espero que gostem! Enquanto isso continuo me adaptando ao pior fuso da vida – são 12 horas!! Se preparem! E a volta é muito pior! Kkk.

Os Melhores Hotéis em Ibiza

ROTEIRO

Antes de tudo, vou dividir com vocês o meu roteiro. Ao total, foram 21 dias no Japão. Primeiro nós reservamos o cruzeiro, pegamos as duas últimas cabines que por sorte tiveram um cancelamento de última hora, e depois montamos o resto da viagem em volta dessas datas. O voo da ida come dois dias, então levem isso em consideração quando estiverem montando a viagem. Como é uma viagem longa e muito cansativa, sem falar do fuso absurdo, não tem como vim para o Japão e ficar menos de 10 dias, na minha opinião. Eu acho que o ideal seriam duas semanas. Nos primeiros dias você fica muito cansado e sofre muito com o fuso, de verdade! E olha que eu não costumo ter problema com isso, então vai por mim! Fora que, já que você vai atravessar o mundo para ir ao Japão, porque não aproveitar e ficar mais tempo?! Afinal, não é todo dia né? Foi o que eu fiz – segundo o meu pai, eu passei o Japão a limpo! Hahaha. Mas mentira viu – serviu para dar um gostinho de quero mais, isso sim!! Kkk.

TÓQUIO – 5 noites

Saímos do Brasil no dia 17 de maio, uma quinta-feira. Voamos para Dallas, EUA, e conectamos direto para Tóquio. Chegamos lá no sábado, 19 de maio, às 14h, ou seja, 48h de viagem!! Sabíamos que estaríamos mortos da viagem longa e zonzos com o fuso horário então nem fizemos planos para jantar fora ou passear no primeiro dia. Quem estiver indo para o Japão, recomendo que façam o mesmo! Tóquio precisa de pelo menos uma semana na minha opinião! Tem MUITAAAA coisa para ver, a cidade é enorme e mesmo que você goste de andar como eu, é cansativo e impossível cobrir os principais pontos de interesse em menos de 4 dias completos. Por isso, recomendo pelo menos 5 noites em Tóquio, assim como eu, lembrando que o primeiro dia (o dia que você chega) é absolutamente nulo então não conta! No final das contas, senti falta de mais um dia livre para poder voltar nos lugares ou nas lojas que mais gostei com mais calma.

HAKONE – 1 noite

Depois de Tóquio, resolvemos incluir uma noite em Hakone porque queríamos ver o festival de flores chamado Shibazakura Festival no Mt Fuji, então roubamos uma noite de Tóquio para fazer isso. No final das contas acabamos nem conseguindo ver esse festival de flores rosas, porque tudo aflorou mais cedo esse ano, incluindo as cerejeiras. Mas mesmo assim valeu a pena porque é em Hakone que é legal ficar em um ryokan (um hotel tradicional japonês) e também tem o Open Air Museum que é MARAVILHOSO! Então valeu a viagem! Se você tiver poucos dias no Japão e quiser pular Hakone, não vejo problema, mas se você gosta de arte e curte o clima mais “alpino”, daí vale a pena passar uma noite!

KYOTO – 3 noites

Depois de Hakone seguimos viagem para Kyoto, que eu AMEI! Mas depois conto mais kkk. Na minha opinião, Kyoto é imperdível, é o Japão que queremos ver, mais tradicional, etc. Tem centenas de templos e santuários em Kyoto, mas ver todos é um pouco cansativo e nem precisa né?! Então eu achei que ficar três noites em Kyoto foi suficiente, não precisa mais. Mas tem que ir!!

SAPPORO – 1 noite

Localizado ao norte do Japão, a cidade de Sapporo fica na ilha de Hokkaido e foi uma parada estratégica para o cruzeiro que saiu do porto de Otaru, a cerca de 45 mins de carro. Conhecida como o paraíso do ramen e frutos do mar, além de ter o único museu de cerveja do país que leva o mesmo nome da cidade, eu estava ansiosa para conhecer Sapporo, mas confesso que me decepcionou um pouco. Não tem muito o que fazer, então não recomendaria muito. É válido ir durante o inverno para ver o famoso festival de gelo com esculturas iluminadas fantásticas, ou como um pit stop a caminho das montanhas para esquiar. Também é válido para quem vai em julho e quer visitar as “fazendas de flores”. Fora isso, não acho necessário.

CRUZEIRO – 10 noites

O cruzeiro teve duração de 10 noites e começou no pequeno porto de Otaru, em Hokkaido, ao norte do Japão, e terminou em Osaka. Escolhemos este roteiro porque adoramos os portos escolhidos e o tempo de permanência em cada um. Para nós, a ilha de Naoshima era um must, e não teríamos fechado o cruzeiro se não tivesse como ir lá! A última parada foi no porto de Takamatsu, de onde pegamos uma balsa de 50 minutos para a ilha de Naoshima. O primeiro dia foi navegando al mare, no segundo paramos em Mano Bay, na ilha de Sado, e por aí foi, como vocês podem ver no mapa abaixo. O meu porto predileto foi disparado Kanazawa, e vou dedicar um post inteiro só para o meu dia lá, porque vale muito a pena! A boa notícia é que agora dá para ir para Kanazawa de shinkansen (trem bala) direto de Tóquio em apenas 2,5 horas!

ORGANIZANDO A VIAGEM

Para quem não sabe, a minha mãe é dona da Interep, uma operadora de viagens com mais de 35 anos no mercado, então toda a minha viagem foi reservada aqui pelo nosso escritório mesmo, trabalhando em conjunto com o nosso fornecedor local no Japão. Quem quiser maiores informações, pode me enviar um e-mail! Como eu mencionei acima, primeiros nós fechamos as datas do cruzeiro e depois montamos o resto da viagem em volta delas. Inicialmente a ideia era viajar para o Japão somente em setembro, mas por acaso, uma manhã, estávamos conversando e resolvemos dar uma olhada no site da Ponant, a companhia francesa do cruzeiro que fizemos, e vimos que tinha uma saída com disponibilidade “under request”. Resolvemos ligar e não é que por acaso tinham vagado de última hora duas cabines para essa saída no final de maio. Não pensamos duas vezes – fechamos! Kkk.

Reservamos todos os hotéis pelo escritório e nosso fornecedor local organizou para a gente todos os transfers e guias nos locais que solicitamos. No entanto, a maioria das excursões que fizemos durante o cruzeiro foi organizada pelo próprio navio, com exceção de Kanazawa e Naoshima que resolvemos pegar um guia só nosso! Em Tóquio, Kyoto e Hakone fizemos tudo sozinhos. Nos posts vou colocar mais detalhes, mas basicamente, escolhemos utilizar o transporte público com a guia em Tóquio porque o metrô e o trem lá são excelentes. É tudo tão bem sinalizado e hoje em dia é fácil de navegar, vez que todas as placas estão escritas em inglês, mas nem sempre foi assim! Da última vez meus pais sofreram muito! Hahaha. Em Hakone o carro particular foi necessário, idem para o dia que fomos para Arashiyama, fora de Kyoto. Mas depois eu explico isso melhor!

Em Tóquio nós escolhemos ficar no Palace Hotel Tokyo. Vou falar mais sobre os hotéis em cada post ok? Em Hakone nós ficamos no Ryokan (hotel tradicional japonês) Kinnotake Tonosawa, e em Kyoto nós elegemos o Four Seasons Hotel. Em Sapporo nós ficamos no JR Tower Hotel Nikko Sapporo que aparentemente é o melhor hotel da cidade, mas mesmo assim não é grandes coisas!! Kkk. Como eu sei que existem vários hotéis bons em Tóquio e que vocês provavelmente querem saber qual é o melhor e o porquê eu escolhi o meu, vou me antecipar e falar que na minha opinião o mais importante é a localização! Eu achei a localização do Palace Hotel fantástica (sem falar toda a estrutura e serviço) e recomendo super. O AMAN fica logo ao lado, há apenas 2 quarteirões de distância. O Park Hyatt Tokyo ficou famoso ao aparecer naquele filme “Lost in Translation”, mas eu acho ele afastado de tudo e meus pais ficaram lá a última vez que foram ao Japão e não gostaram da localização! Preferiram mil vezes o Palace. Muita gente gosta de ficar no Mandarin Oriental e ele é bem recomendado também, mas preferi a localização do nosso. Para quem quer ficar em Ginza mesmo, a melhor opção é o Peninsula. Muitos falam que estão do lado de Ginza, mas a cidade é ENORME e as distâncias são relativamente grande! Se você pretende utilizar transporte público (eu recomendo muito), vale a pena também levar em consideração a estação de metrô mais próxima na hora de escolher o seu hotel.

Fizemos a parte aérea via os Estados Unidos. Voamos de American Airlines de São Paulo para Dallas, e de lá conectamos direto para Tóquio. É puxado, pois são praticamente dois voos internacionais de quase 11h cada, mas eu prefiro fazer tudo numa tacada só e ter mais tempo no destino final, do que ficar quebrando a viagem e dormir uma noite no local de escala. Como desembarcamos do navio em Osaka, a volta teve mais um trecho, que foi Osaka – Tóquio Narita com uma companhia chamada Jetstar que possui um codeshare com a American Airlines. Fora esse voo, fizemos um outro trecho interno: Kyoto – Sapporo, reservado por nosso fornecedor local. Na verdade, não existe aeroporto em Kyoto e o mais perto é em Osaka, cerca de 1h de carro. Mas Osaka possui dois aeroportos diferentes – decolamos do doméstico.

Como vocês viram e acompanharam nos stories do meu Instagram, fomos no Yayoi Kusama Museum e também no campeonato de Sumô! Como muita gente me perguntou sobre os ingressos, já vou aproveitar para esclarecer isso agora! Em relação ao museu: tem que comprar o ingresso online com MUITA antecedência. Quando digo muita antecedência, em abril eles estavam vendendo os ingressos para o mês de julho!! O resto estava tudo sold out! Basicamente, pelo o que eu entendi, se você vai viajar em outubro, por exemplo, você tem que comprar os ingressos na primeira semana de agosto – eles disponibilizam um número certo de ingressos para determinado mês sempre com dois meses de antecedência, e esses ingressos vão à venda sempre na primeira semana do mês! Complicado né?! E não adianta tentar comprar na hora – NÃO VENDE! Não perca a viagem! Como a nossa viagem acabou rolando em cima da hora, eu OBVIAMENTE não ia conseguir esses ingressos pelo site do museu, mas eu me recusei a aceitar essa derrota e comecei a pesquisar e vasculhar a internet. Lembrei de um site que utilizo para comprar ingressos de shows e resolvi procurar – não custava nada! E não é que encontrei?! Tinha apenas um dia disponível, então não pensei duas vezes! Achei a revenda no site viagogo. Pagamos cerca de USD 100 por cada ingresso (já com o fee do site incluso). Mas olha, se você não conseguir o ingresso, não se preocupe…não acho que está perdendo nada demais…o museu é bonito, mas é BEM pequeno! Eu sinceramente esperava mais, porque as exposições dela são sempre tão legais e grandes!

Já o sumô é tão disputado que nem o nosso fornecedor local conseguiu ingressos! Como o torneio não acontece sempre, os ingressos são super concorridos. Se você estiver de viagem marcada para o Japão, verifique o calendário para ver se terá o campeonato ou não. Todo ano em maio acontece o torneio, então aproveitamos para assistir e AMAMOS! Achei imperdível! Se você estiver planejando uma viagem ao Japão, mas ainda não fechou nenhuma data, recomendo escolher uma época que tenha o campeonato para poder assistir! Enfim, não satisfeita com a negativa, novamente fui atrás e tentei encontrar os ingressos no mesmo site que mencionei acima, mas eles tinham apenas alguns, e o ingresso que a gente queria (o “masu” – box) estava sold out para variar! Continuei a procurar até que encontrei um site chamado “govoyagin”. Conseguimos comprar um boxe na segunda melhor localização! Ufa! Os “masus” são na verdade tatamis e cada um é para 4 pessoas. Independentemente de você estar em 2 ou 3 pessoas, como foi o nosso caso, você precisa comprar o boxe todo! Compramos o Masu B por aproximadamente USD 240 cada ingresso! O programa é caro, mas não é todo dia que você assiste um torneio de sumô ao vivo né?! Hahaha. Existem também cadeiras e boxes mais distantes do palco, mas aí fica difícil de ver na minha opinião.

MINHAS EXPECTATIVAS PRÉ-VIAGEM

Alguns meses atrás recebi um inbox sobre um leitor que estava ansiosíssimo para a sua viagem, contando os meses e dias, mas falou que eu não deveria saber mais o que era isso porque eu sempre estou viajando…foi aí que eu respondi: pelo contrário!!! Eu fico MUITO ansiosa antes de qualquer viagem, gosto de planejar cada detalhe com antecedência e fico sonhando com o dia da viagem! Eu sempre estou pensando na próxima viagem, então vivo sonhando acordada, te garanto! Kkk. E com o Japão, não poderia ser diferente! Na verdade, o Japão era o país que eu mais quis conhecer na vida! Há 5 anos eu estava esperando essa viagem, cobrando meus pais hahaha, pedindo para por favor me levarem!! Finalmente consegui! Do momento que eu fechei a viagem até o meu última dia no Japão, eu era pura empolgação! Pesquisei TUDO, organizei tudo, fiz todas as reservas, montei todo o roteiro…não via a hora!! Ainda bem que foi meio em cima da hora senão acho que eu ia surtar de tanta ansiedade! Hahaha. O destino estava no topo da minha bucket list e eu falei para os meus pais que se eu só pudesse escolher um lugar para viajar esse ano, eu queria ir para o Japão! Sonho realizado! Eu sabia que eu iria amar, porque eu não conheço UMA pessoa que foi e não gostou! Pelo contrário…todo mundo volta encantado querendo mais! E olha que isso é raro para um destino viu?! Como eu amo tudo que é cacareco, papelaria, etc, fui preparada – levamos duas malas vazias para encher com essas comprinhas! Hahaha. E não sobrou espaço viu?! Kkkk.

WI-FI

Alugamos dois aparelhos “pocket wifi” pela Ninja Wifi. Já tinha ouvido falar que trocar de chip não adiantava muito e que a melhor opção era esse tal aparelho, então pesquisei e descobri que o Ninja wifi era o mais recomendado de modo geral. E olha, além de funcionar em mais de um dispositivo, ao contrário do chip, a praticidade também é sem igual. Basta você reservar o seu aparelho alguns dias antes pelo site deles e você retira o aparelho no terminal do aeroporto (no meu caso Terminal 2 do Narita International Airport) e você devolve no mesmo lugar, mesmo que seja em outro terminal. Você também tem a opção de devolver em outros aeroportos do país, mandar alguém retirar/entregar no seu hotel aonde você estiver, ou então enviar pelos correios em um envelope providenciado por eles! Achei muito prático, sério! E funciona!! Eu solicitei o plano básico pela duração da minha estadia (21 dias). Basicamente, são 9 USD por dia, com dados ilimitados e conexão 4G e 4G LTE (aquela mesma dos Estados Unidos que é tão boa). Assim como tudo no Japão, é caro, mas compensa e o wifi pega MUITO bem! Funcionou super, foi ótimo. A velocidade era bem rápida (mais que no Brasil kkkk), então valeu a pena! Recomendo muito!

RESERVAS DE RESTAURANTES

Para os estrelados, reserve com PELO MENOS um mês de antecedência, mas idealmente dois. Alguns restaurantes mais famosos pedem até 6 meses de antecedência!! Todos os restaurantes são minúsculos, a maioria com 8 a 10 lugares no máximo, por isso lotam rápido. Como minha viagem foi planejada de última hora, não tivemos nem tempo para pensar nisso, mas sinceramente, nem eu e nem meus pais estávamos a fim de ficar comendo em restaurantes com estrela Michelin com aqueles menus de degustação com 12 pratos!! Preferimos muito mais explorar os restaurantes com a nossa guia e fazer coisas diferentes! Tem tanta coisa para ver em Tóquio, que na minha opinião, é um desperdiço perder horas num restaurante quando você poderia estar batendo perna e descobrindo lugares típicos diferentes, igualmente bons!

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Achei o turismo no Japão super autêntico! Não tem camisetas e tranqueiras escritos “I LOVE KYOTO”, por exemplo. Isso é bem legal, porque tudo que está à venda em áreas mais turistas, especialmente em Kyoto, é tudo produto artesanal feito no Japão. Isso é muito bacana! Com a crescente onda de globalização, é muito difícil encontrar um destino turístico que mantenha a tradição nos dias de hoje. Na minha opinião, baseado em tudo que eu vi durante a viagem, o Japão é um país fascinante, com uma história e cultura incrível e super interessante. Existe uma mistura de modernidade e tradição, tudo sempre com muita elegância e refinamento em todos os pequenos detalhes. Apresentações impecáveis, serviço excelente, limpeza e educação são algumas das coisas que você pode esperar do Japão!

QUANDO IR

Como o Japão tem quarto estações bem distintas, eu acho que qualquer época pode ser boa, dependendo do que você quer ver. Tudo no Japão é muito sazonal então você tem que planejar sua viagem nisso. Por exemplo, como eu disse acima, se você quer assistir a um Campeonato de sumô, você tem que ir nos meses específicos (não é sempre que tem). Se você quer ver aqueles campos coloridos de flores tipo arco íris em Hokkaido, você tem que ir para o Japão em julho. A primeira semana de abril é quase que garantido que você verá as cerejeiras, mas é possível que mesmo assim você tenha que “seguir” elas pelo Japão, porque a data inicial varia todo ano e o último lugar que as flores brancas e rosadas aparecem é no norte. Então conseguir ver as cerejeiras é uma roleta russa. Em contra partida, essa é a época mais cheia do ano também, tudo fica muito lotado, então talvez não seja ideal! Uma semana que você com certeza deveria evitar é o golden week que rola em maio! Verifique sempre o calendário anual, pois durante essa semana o país todo está praticamente de férias – é como se fosse um mega feriado! Tem muita coisa fechada então não recomendo, fora a multidão nas ruas com todos os festivais que acontecem! No entanto, para quem gosta de fotografia, pode ser uma época boa! Então é tudo relativo. O começo e o meio de maio é a melhor época para ver aquelas lindas flores roxas – wisteria! No outono, as árvores de bordo (“maple trees”) ganham tons de vermelho, laranja e amarelo como uma pintura – simplesmente lindo! No inverno você pode aproveitar para ir ao Norte e esquiar, e ver também os famosos macocos da neve!! Mas se eu tivesse que escolher a melhor época para ir, sem dúvida é a primavera ou o outono. O mês de junho é a época de chuvas e no verão é quente e úmido demais!!

MOEDA E PREÇOS NO GERAL

A moeda no Japão é o Yen. O jeito mais fácil de converter é pensar em USD, já que a $1 é aproximadamente 107¥. Eu dividida tudo por 100 para saber o preço! A melhor recomendação que posso dar é levar muito dinheiro em cash! Poucos lugares aceitam cartão de crédito, especialmente se você for nos mais locais e menos óbvios, e não é tão fácil sacar dinheiro! Existem poucos caixas eletrônicos que deixam você fazer uma transação internacional – só nas lojas de conveniência 7/11! E vai por mim, você vai pirar, querer comprar tudo que ver pela frente…então a melhor coisa é ter dinheiro em espécie para ir pagando todas as comidinhas e docinhos de rua e souvenirs!! Em relação às gorjetas, não se preocupe, pois não é uma prática comum – o serviço já está embutido no preço. Outra coisa, todo lugar possui no caixa uma bandejinha pequena. Nós temos o costume de entregar o dinheiro na mão da pessoa no caixa, certo? Pois no Japão você deve colocar o dinheiro (notas e moedas) nessa bandejinha, incluindo o cartão de crédito! Ignorá-la e entregar o dinheiro direto nas mãos da pessoa no caixa é desrespeitoso! E eles são tão metódicos que vão ficar apontando para a bandejinha e só vão pegar o dinheiro quando você o colocar lá! Hahaha. Então já se acostumem! Kkk.

Em termos de preços, eu achei o Japão relativamente barato no geral. Assim, não estou falando da viagem em si, mas transporte e restaurantes não são caros! Claro que se você só comer em restaurantes com estrelas Michelin, você provavelmente irá à falência kkk, mas fora isso, come-se MUITO bem em qualquer canto e por pouco! Fiquei impressionada! Por isso, vale a pena se aventurar e descobrir restaurantes locais diferentes! Andar de metrô também não é caro e funciona que é uma beleza! Os souvenirs e cacarecos locais que você compra nas ruas e lojinhas também não são caros no geral, na minha opinião. A viagem em si para o Japão é MUITO cara! Como é super longe, o aéreo é bem caro (são quatro trechos internacionais se você pensar ida e volta), e também achei todos os serviços como guias e transfers caríssimos. Hospedagem realmente depende do hotel que você escolhe então é difícil falar, mas pode ser bem caro também. Mas em resumo, o seu dia-a-dia no Japão pode ser muito barato se você quiser!

A COMIDA

Uma das maiores surpresas quando comecei a pesquisar sobre os restaurantes foi descobrir que no Japão tudo funciona diferente! Primeiro que não existe restaurante “japonês” igual temos aqui! Os restaurantes são especializados em apenas um tipo de comida, com exceção dos izakayas e restaurantes internacionais, claro. Atualmente, restaurantes de esteira também oferecem udon ou ramen, além de sushi. Muito certinhos e regrados do jeito que são, tudo é levado ao pé da letra, então em restaurante de sushi só tem sushi, de tempurá só tempurá, de gyoza só gyoza, e por aí vai! Então essa é uma das dúvidas mais cruéis, especialmente quando alguém quer comer um tipo de comida que o outro não come ou não está afim – porque todos têm que comer a mesma coisa! Mas a boa notícia para quem não come japonês é que se engana quem pensa que no Japão só se come frutos do mar!! Claro que o sushi etc é uma grande parte da cultura japonesa, mas os japoneses também comem muitos noodles e carne, e têm até o seu próprio tipo de curry! Dá para se virar tranquilamente! Alguns restaurantes podem até adaptar o menu, mas isso deve ser avisado com antecedência, porque tudo que foge do normal é um problema para os japoneses – eles não sabem como agir e se desesperam! Kkk. Chega a ser engraçado!

Para ter uma ideia, alguns dos ingredientes mais comuns em comida japonesa são: gyu (carne), tori (frango), tako (polvo), tamago (ovo), uni (ouriço), ikura (ovas de salmão), ebi (camarão) e ika (lula). Existem três tipos de noodles no Japão: Udon (feito de farinha e que podem ser servidos quentes ou frios, com ou sem caldo), soba (feito de trigo sarraceno, servido quente ou frio, e geralmente com um caldo de peixe), e ramen (feito de farinha e ovos, servido quente e o que varia é o sabor do caldo e os ingredientes que você acrescenta em cima). No caso do ramen, cada região ou cidade tem a sua especialidade (o sabor do caldo), então vale a pena provar os diferentes tipos. A cidade de Sapporo e Fukuoka são uma das mais conhecidas por ramen, e já Takamatsu, aonde paramos com o navio, é o local mais famoso por Udon.

Para quem gosta de doces, vale a pena provar os diferentes tipos de doces japoneses!! A embalagem e a apresentação são um show à parte, mas os sabores são bem diferentes do que costumamos ver. E para os amantes de sorvete, prepare-se! Os japoneses AMAM sorvete! Toda esquina você vai encontrar uma loja vendendo sorvete de casquinha, o difícil vai ser escolher entre as dezenas de sabores diferentes!! O meu favorito foi disparado o de uva! Mas tem de matcha, de gergelim preto, e por aí vai!

TIPOS DE RESTAURANTES NO JAPÃO

Os restaurantes são todos classificados em categorias de comida, e para vocês não ficarem tão perdidos como eu, resolvi explicar alguns principais! Soba, udon e ramen eu já expliquei acima. Sushi e sashimi também dispensam apresentação. Kaiseki é a tradicional alta cozinha japonesa consistindo de vários pratos, especialmente com legumes e peixe. Não recomendo para quem não come sushi ou não gosta de frutos do mar, pois é uma espécie de menu degustação e eles não gostam de fazer alterações. Para piorar, é considerado falta de educação você não comer um prato! Muitos dos restaurantes com estrela Michelin no Japão são kaiseki. Se você se hospedar num ryokan, o jantar será sempre kaiseki. Yakitori são o equivalente ao nosso “robata”- espetinhos geralmente de frango servidos com molho tarê em cima ou temperados com sal. Básico, mas bom! Kaiten-zushi é o famoso sushi de esteira! A maioria oferece balcão (para quem estiver sozinho), mas também possuem cabines com uma mesa e dois sofás para mais pessoas. É sempre uma boa opção com excelente custo benefício. Sem falar que é rápido! Teppanyaki é o nome dado ao restaurante com chapa de ferro e serve grelhados – geralmente carne e frutos do mar. É o melhor lugar para provar as carnes premium japonesas (wagyu), como o Kobe beef. Vou aproveitar o momento para desmistificar o Kobe beef – não é um tipo de carne…é o nome da região ou cidade de onde vem, no caso, Kobe! O Kobe Beef virou moda nos Estados Unidos, mas ela é 1 entre 100 tipos de carnes japonesas, e nos últimos anos não tem nem aparecido no top 5! Uma das melhores carnes são de Kyushu Island, por exemplo. Em Kyoto, por causa da proximidade, a premium é a Ome Beef.

Tonkatsu significa literalmente costeleta de porco, e é basicamente uma carne de porco à milanesa (empanada), servido com um delicioso molho com base de ameixa. Ele é geralmente servido junto com arroz, missoshiro e repolho, mas também é possível encontrar outras versões como o “katsu sando” (um sanduíche com pão de miga delicioso) ou o “katsu kare” (coberto com o tal molho curry japonês – muitoo bom). Fomos em um restaurante famoso em Omotesando e amei tanto que acabei comprando uma garrafinha do molho! Kkk. O Gyoza e o tempura também dispensam apresentações, mas tudo que você precisa saber é que existem “gyoza bars” espalhados por Tóquio, que só servem isso. Idem com o tempura! O gyoza tradicional é feito com carne de porco e pode ser servido de três maneiras: “sui-gyoza” (fervido – bem molinho), “yaki-gyoza” (a parte de baixo é levemente frita na frigideira) ou “age-gyoza” (totalmente frito em óleo – bem crocante e “deep fried”).  Fomos em um gyoza bar famoso que estava divino! Já no tempura você só encontra frutos do mar e legumes sazonais!

Eu particularmente adoro shabu-shabu! O prato quente consiste em pedaços de carne e legumes fatiados bem finos e cozidos em um caldo quente na mesa. Você mesmo cozinha os ingredientes que deseja e o prato é acompanhando por dois molhos: um cítrico yuzu e outro de gergelim. É bem bom! A mistura dos dois fica top! Kkk. O nome shabu-shabu vem do som feito quando as fatias de carne são misturadas no caldo fervendo. O prato sukiyaki é bem parecido, mas a principal diferença é que as fatias de carne são mergulhadas em ovo cru depois de cozidas! E por fim, o Izakaya é a resposta japonesa para o famoso “gastro pub” inglês! Izakayas são estabelecimentos descontraídos para comer e beber, onde todos dividem os pratos nas mesas, geralmente servidos em pequenas porções tipo aperitivo. Nos izakayas você encontra yakitori, saladas, gyozas, frango frito, etc. Mas vale a pena mencionar que como eles também funcionam como bares, os izakayas costumam ser bem barulhentos e esfumaçados (pode fumar dentro)!

RELIGIÃO

Por ser um povo tão tradicional, me surpreendi quando descobri que os japoneses são bem abertos quando o assunto é religião. As duas principais religiões no país são o Budismo e o Xintoísmo (Shinto), e a maioria dos japoneses afirmam pertencer às duas crenças e praticam os dois! O xintoísmo e o budismo coexistem pacificamente no Japão, e inclusive, durante um período na história do Japão, essas duas religiões eram bem misturadas, então é comum ver símbolos budistas em santuários Shinto, e vice-versa. Ambas as religiões influenciaram bastante no estilo de vida, nas tradições e superstições japonesas. A religião tradicional do Japão é o Shinto que significa literalmente “caminho dos deuses”. A religião é caracterizada pela adoração a divindades que representam as forças da natureza e não há uma figura central. Já o budismo abrande diversas tradições, crenças e práticas geralmente baseadas nos ensinamentos de Buda. A história do budismo no Japão foi difundida em vários períodos diferentes, até que se tornou dominante no Japão.

A diferença mais óbvia entre os templos é a presença de um “Torii” ou de uma pagoda. Basicamente, se você ver um portão torii, você já sabe que se trata de um santuário Shinto, e se você ver uma pagoda, trata-se de um templo budista. Como vocês viram nos meus stories, eu vi inúmeros santuários e templos, e para já tirar a explicação do caminho, o torii que vocês tanto viram nas minhas fotos nada mais é do que uma espécie de portão feito de madeira, geralmente pintado de vermelho ou laranja. Ele serve para indicar e delimitar a área do santuário que é considerada um um espaço sagrado. Existe também uma diferença no momento da oração: no santuário você bate palmas duas vezes antes da oração (para os deuses te ouvirem) e no budismo a oração é silenciosa. Como a natureza exerce um papel fundamental no xintoísmo, os santuários costumam ser rodeados de muitas árvores. É por isso que também existe no Japão tantos festivais de flores, etc. A melhor explicação que eu ouvi em relação ao xintoísmo é que no Japão existem tantos desastres naturais como tufões, terremotos, tsunamis e vulcões, que os japoneses realmente acabam acreditando que se existe algum tipo de deus poderoso nesse mundo, é a natureza! Eles respeitam e temem ela, por isso a tamanha importância de celebrar sempre e toda adoração para “mantê-la calma”! Se você pensar, faz sentido não faz?!

FRASES ÚTEIS QUE APRENDI (E USEI MUITO) NA VIAGEM

Arigatou gozaimasu: muito obrigada!

Ohayou: bom dia!

Konnichiwa: olá ou boa tarde!

Konbanwa: boa noite!

Irasshaimase: bem-vindo!

Hai: sim! Você vai escutar isso o tempo todo hahaha!

Sumimasen: com licença!

Kudasai: por favor (perguntando)

Douzo: por favor (oferecendo)

Kampai: saúde!

Ikura desu ka: quanto custa?

Doko desu ka: aonde é…

Toire doko desu ka: aonde é o banheiro? Hahaha.

BREVE HISTÓRIA DO JAPÃO

Eu recomendo muito ler a respeito da história do Japão antes de ir, porque é um pouco confuso!!! No começo eu ouvia as guias falando sobre shogun, imperador e samurai e sinceramente não entendia a diferença! Idem para os períodos Edo e Meiji! Kkk. Achei a cultura e a história do Japão fascinante e até comprei um livro sobre o Tokugawa Ieyasu, o shogun mais famoso da história do país, que comecei a ler no voo de volta, então por isso, para finalizar, achei que seria legal incluir neste post uma breve história do Japão para vocês. Espero que seja útil!

O Japão é um país que permaneceu completamente fechado para qualquer estrangeiro até os anos 1500, quando missionários e comerciantes começaram a chegar da Europa. Naquela época, o Japão era governado pelo shogun, senhores da guerra que deveriam respeitar o imperador. O shogun mais famoso é Tokugawa Ieyasu, que uniu a maior parte do país e esclareceu as classes, bem como subordinou os senhores da guerra (daimyo), ou seja, subordinou os senhores feudais – samurais. Ele estabeleceu ainda o seu reinado em Edo (Tóquio moderna), propositalmente longe do Imperador em Kyoto. O shogun era o mestre de todos os samurais e detinha o poder político, apesar de existir um imperador. Era quem mandava no país.

Devido à propagação do cristianismo no sul do Japão, o shogun Tokugawa expulsou todos os estrangeiros que se recusaram a dissociar a religião do comércio. Viajar para o exterior também foi proibido para os japoneses. Durante esse período, a arte japonesa realmente aflorou, e os daimyo eram treinados não apenas em artes marciais, mas também em literatura, filosofia e artes, como a famosa cerimônia do chá, ukiyo-e e kabuki. A cultura japonesa que vemos hoje é fruto de todo esse protecionismo. O status social foi desenvolvido com os samurais no topo, seguidos pelos camponeses, artesãos e finalmente comerciantes, classificados em ordem de importância para o país (os camponeses fornecem a comida, os artesãos os bens e os comerciantes simplesmente os despacham).

O clã Tokugawa permaneceu no poder até a Restauração Meiji de 1868, quando o poder foi restaurado ao Imperador, que se mudou para Tóquio. Neste momento, as potências ocidentais decidiram forçar os japoneses a começar a negociar novamente, usando navios de guerra americanos altamente intimidadores. Seguiu-se um período de integração ocidental, durante o qual o governo japonês fez tudo para modernizar, revisando seu sistema educacional, militar, legal e muito mais.

O Japão travou guerras contra os seus vizinhos, primeiro contra a China em 1894-1895 (uma esmagadora vitória), depois a Rússia de 1904-1905 e assim adquiriu a Coreia, Taiwan, as ilhas de Okinawa e parte de Sakhalin. Os estados ocidentais intercederam por parte da China, e assim o Japão foi forçado a devolver alguns territórios. No entanto, isso levou a uma maior militarização. O Japão juntou-se à Primeira Guerra Mundial ao lado dos Aliados, mas foi tratado com desprezo pelo Tratado de Versalhes. O racismo assolou as relações entre o Ocidente e o Japão, pressionando assim o país a provar o quão poderoso e potente poderia ser.

Em 1931, o Japão invadiu a China novamente, através da Coreia e estabeleceu um fantoche – o Imperador de Manchukuo (originalmente Manchúria). A Segunda guerra sino-japonesa eclodiu em 1937, mas o governo chinês nunca se rendeu, continuando a guerra então até 1945. Em 1940, o Japão invadiu a Indochina (então controlada pelos franceses) em uma tentativa de garantir recursos naturais, que são completamente inexistentes em seu próprio território. Eles continuaram sua expansão por toda a Ásia, chegando até a Nova Guiné, Índia e Havaí.

Os EUA declararam guerra ao Japão em 1941, quando foram atacados em Pearl Harbor. Após ataques aéreos intensivos (bombardeio que destruiu 80% de algumas cidades e mais da metade de Tóquio), os militares japoneses se recusaram a se render incondicionalmente, apesar de já terem perdido algumas ilhas para o controle americano. Para forçá-los, os americanos lançaram duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto. A União Soviética também declarou guerra ao Japão em 8 de agosto, e o imperador finalmente concordou com os termos. O ano de 1945 foi determinante e um marco na história japonesa – a ocupação do Japão, a reescrita de sua constituição por uma equipe de estrangeiros e a retirada de seu exército moldou todo o governo e política internacional atual, e desde então, a sua economia não parou de crescer, tornando-se a segunda maior do mundo.

Comentários

comentários

Related Posts

Voltar