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A VIAGEM

DATAS: 20-24 de Março 2017

NÚMERO DE NOITES: 4

HOTEL: THE MAMILLA HOTEL

DISTÂNCIA TOTAL CAMINHADA: 46,9 km

TOTAL DE PASSOS: 68.378

TLV-JLM

Jerusalém fica apenas 50 minutos de carro de Tel-Aviv, desde que não tenha trânsito, claro! Não é necessário um transfer, fui de taxi mesmo! Pedi para o Concierge do hotel reservar o taxi para a manhã seguinte, para não correr o risco de perder a hora. O taxi para Jerusalém custou 370 shekels (aproximadamente USD 100). A boa notícia é que estão construindo um trem bala que vai ligar o centro das duas cidades. A previsão de funcionamento é para julho desse ano ainda!

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Fiquei impressionada com o tamanho de Jerusalém! Eu achava que a cidade era pequena e composta somente da “cidade velha”, mas logo percebi que tinham parques grandes, apartamentos bonitos e modernos, e muito trânsito! As diferenças com Tel-Aviv não demoraram para aparecer: a cidade inteira é construída com pedra calcária então tudo é da mesma cor, e reparei a quantidade de ortodoxos nas ruas. É impossível não admirar as muralhas da Cidade Velha…são LINDAS!

O HOTEL

Fiquei hospedada no Mamilla Hotel, integrante da organização Leading Hotels of the World (LHW). O hotel é super bem localizado, ao lado de Jaffa Gate, o portão de entrada para o bairro judeu e cristão da Cidade Velha. O meu quarto era ótimo, tinha um bom tamanho, e a cama era muito confortável! O hotel ganhou pontos também com o seu serviço 24h de room service, algo que para mim é essencial. Também gostei bastante do banheiro que apesar de transparente, possui uma tecnologia para transformar os vidros em opaco ao simples toque de um botão! O café da manhã era muito bom, com um buffet bem variado. Entre as amenidades oferecidas pelo hotel, destaco o spa, onde fiz uma das melhores massagens do último ano! O hotel também possui uma academia, sauna, piscina interna aquecida, um bar e dois restaurantes. Recomendo super.

MAMILLA MALL

O Mamilla Mall é um complexo de lojas ao ar livre relativamente novo, situado ao lado do Mamilla Hotel. O shopping é lindo e possui um monte de lojas e restaurantes. Aqui você encontra de tudo um pouco: desde lojas da Zara e Nike, a Rolex. O Mall também possui lojas de marcas Israelenses e uma farmácia. Eu amei as obras de arte e esculturas à venda espalhadas pelo shopping. O lugar é um exemplo perfeito do retrato de Jerusalém: uma mistura do velho com o novo.

TBEX INTERNATIONAL

Em Jerusalém eu participei de uma conferência sobre “The Future of Travel Media”, patrocinada pelo Ministério do Turismo de Israel. Aliás, esse foi o principal motivo da minha viagem. Foram dois dias inteiros de palestras e blocos de speed networking com principais companhias da indústria do turismo. Também participei dos eventos à noite, então tudo isso acabou atrapalhando um pouco a minha programação “turística” na cidade, sobrando pouco tempo para explorar. Tive que otimizar meu tempo e me desdobrei para conseguir ver o máximo possível nas horas livres – foi muito cansativo, não vou mentir! Hahaha

LIGHT RAIL

Como participante do evento, ganhei um passe para utilizar gratuitamente o transporte público da cidade. Dentro das opções, eu achei o Jerusalem Light Rail (JLR) o melhor método de transporte! Pegava o JRL todo dia para conferência, pois com a estação de trem a apenas um quarteirão do meu hotel, era mais conveniente impossível. O trem liga os arredores da Cidade Velha com os bairros mais modernos da cidade e o Centro de Convenções. Ele também é ótimo para quem quiser ir da Cidade Velha para o mercado Mahane Yehuda rapidamente.

A CIDADE VELHA

No primeiro dia resolvi fazer um tour geral da Cidade Velha para ser introduzida corretamente a esse lugar extraordinário e único. O tour começou no portão de Jaffa, no bairro Cristão, e durou cerca de três horas. Exploramos a cidade e sua complexa história caminhando por seus quatro bairros distintos: o muçulmano, cristão, judeu e armênio. Vale mencionar que não existe uma marcação clara de onde inicia e termina cada bairro, mas você meio que sabe só de olhar as pessoas e ler as placas ao seu redor.

Jerusalém tem tanta história e tanta riqueza de detalhes, que seria difícil colocar tudo aqui de forma enxuta, mas vou tentar ir um pouco mais afundo em alguns tópicos, começando com Jaffa Gate. O portão tem esse nome, pois ele está alinhado com a antiga cidade portuária de Jaffa na costa oeste de Israel – é uma linha reta de um lugar até o outro.

O melhor eufemismo para descrever Jerusalém seria um bolo! Assim como um bolo, a Cidade Velha é feita de camadas que representam diferentes períodos da história. A antiga cidadela foi destruída e reconstruída tantas vezes ao longo na história, sempre utilizando os destroços de construções de períodos anteriores, que hoje é possível encontrar um nicho de oração muçulmana dentro da Torre de Davi, uma construção judaica feita em homenagem ao rei de Israel. A torre em si, na verdade, é uma minarete de uma mesquita, provando quantas vezes Jerusalém trocou de mãos nos últimos dois milênios! A cidade é assim – tudo junto e misturado! A coisa mais importante que aprendi logo no início foi a ordem cronológica bíblica, que ajudou a explicar e entender muita coisa. Primeiro vieram os judeus, depois os cristãos, e então os muçulmanos. Jerusalém é conhecida como a “Terra Santa”, pois aqui você encontra os lugares mais sagrados e religiosos da religião judaica e Cristã, e o terceiro mais sagrado dos Muçulmanos.

CHRISTIAN QUARTER

No bairro Cristão você encontra a Basílica do Santo Sepulcro, lar dos dois lugares mais sagrados do Cristianismo: o local de crucificação e sepultamento de Jesus Cristo. Tive a sorte de estar em Israel na mesma semana que o sepulcro reabriu para visitas, após ficar meses fechado para restauração. Ao longo dos séculos a igreja foi objeto de disputa das diferentes facções cristãs, e hoje ela é administrada e mantida por um complexo arranjo entre seis diferentes credos cristãos. Do lado de fora da igreja você tem uma escada, conhecida como “Ladder of the Status Quo”, que além de representar o caminho para o céu, é símbolo desse acordo existente há 165 anos. O fato que achei mais curioso é que as portas da igreja são trancadas toda noite por uma família muçulmana que detém e protege as chaves há mais de 800 anos! A Via Dolorosa percorrida por Jesus Cristo e a Torre de Davi, símbolo de Jerusalém, também ficam no Christian Quarter.

ARMENIAN QUARTER

Situado no canto sudoeste da Cidade Velha, o bairro Armênio é o menor dos quatro, mas também tem sua importância. Foi aqui que o general inglês Allenby fez seu famoso discurso em 1917, que se tornou símbolo de um marco na história de Jerusalém – uma mudança com a queda do Império Turco-Otomano. Aqui você também encontra a Catedral de Saint James, uma igreja ortodoxa armênia dedicada a dois santos Cristãos: James o Maior, um dos doze Apóstolos de Jesus Cristo e irmão de João, e James o Menor, irmão de Jesus e o primeiro bispo da comunidade Cristã em Jerusalém. De acordo com a tradição Armênia, a igreja foi construída no local da sua morte por rei Herodes. Ele é o santo padroeiro dos Espanhóis e frequentemente identificado como “Santiago”. Junto com a Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha, as catedrais são seus principais santuários.

JEWISH QUARTER

Um dos principais pontos de interesse no Jewish Quarter é o Cardo, a principal avenida de Jerusalém nos tempos romanos e bizantinos, descoberta em escavações arqueológicas após 1967. O Cardo foi originalmente pavimentado no Século II quando Adriano reconstruiu Jerusalém igual uma polis Romana chamada de “Aelia Capitolina”. No Século VI, o Imperador Bizantino Justiniano estendeu a avenida até Zion’s Gate, percorrendo o que hoje é o bairro judeu. A parte norte que corre do Damascus Gate até David Street é original do período Romano. Uma seção do Cardo original foi restaurada para demonstrar como era o mercado nos tempos Romanos. Ainda é possível ver algumas colunas romanas entre os restos arqueológicos. Uma outra seção do Cardo foi reativada como uma rua de compras, com galerias cheias de obras de arte e souvenirs. Essa parte do Cardo leva até o Souk no Muslim Quarter. Mas a atração mais importante é, sem dúvida, o Muro das Lamentações, também conhecido como “The Western Wall” ou “The Wailing Wall”.

MUSLIM QUARTER 

O bairro muçulmano é o maior de todos, com aproximadamente 25 mil habitantes. O restrito e sagrado Monte do Templo é a atração mais concorrida do bairro, mas só pode ser visitado por não-muçulmanos em horários e dias específicos. Além da Cúpula da Rocha, aqui você encontra também a Mesquita Al-Aqsa. O Souk (mercado da Cidade Velha) é super divertido e vende de tudo um pouco! Comprei todos meus souvenirs e cacarecos aqui!

A TORRE DE DAVI

A Torre de Davi é uma antiga cidadela situada próxima à entrada do Portão de Jaffa, que faz parte dos muros da Cidade Velha de Jerusalém. Apesar do nome, ela foi construída há mais de dois mil anos por Herodes, rei da Judéia, e centenas de anos após a datação bíblica do reinado do Rei Davi. A cidade foi construída originalmente para fortalecer um ponto estrategicamente fraco na defesa da Cidade Velha. A cidadela de Davi foi destruída e reconstruída muitas outras vezes pelos conquistadores subsequentes de Jerusalém, sendo por último os otomanos.

Hoje o complexo histórico abriga um belo museu que conta a história de Jerusalém, e a noite é palco do maravilhoso show “Night Spectacular”. Criado por franceses, o espetáculo de som e luzes mostra, através de imagens gigantes projetadas nas paredes da fortaleza, os períodos que a cidade viveu e sua saga de três mil anos de ocupação. O show é imperdível! Programe-se para assistir, pois vale muito a pena! Também não deixe de subir até o topo da torre de Phasael para ver as vistas panorâmicas da cidade!

O DOMO DA ROCHA

Assim como a Igreja do Santo Sepulcro e o Muro Ocidental, o Domo da Rocha (“Dome of the Rock em inglês) é Patrimônio Mundial da UNESCO e visita obrigatória! Conhecido também como “A Cúpula da Rocha”, esse santuário está localizado no Monte do Templo, o bairro muçulmano, na Cidade Velha e detém grande significado religioso para judeus e muçulmanos. Na fé islâmica, a rocha é onde o Profeta Muhammad ascendeu ao céu, tornando-o o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, depois de Meca e Medina, ambas na Arábia Saudita. Na fé judaica, esta é a Pedra da Fundação e o local mais sagrado no Judaísmo. É também o local onde Abrãao teria se preparado para sacrificar seu filho Isaac. Logo na entrada, antes de passar pelas revistas, tem uma placa proibindo a entrada de judeus no Monte do Templo, pois o judaísmo entende que o homem não é puro o suficiente para poder pisar em um lugar tão sagrado.

Construído no Século VII, o Domo possui uma grande cúpula dourada que foi originalmente feita de ouro, mas foi substituída e hoje é feita de alumínio e é apenas folheada a ouro, uma doação do falecido rei Hussein da Jordânia. Os azulejos turcos azuis e verdes que adornam o exterior foram pintados à mão e são cópias fiéis dos azulejos persas que Suleiman o Magnífico acrescentou em 1545 para substituir os originais danificados. As inscrições em árabe que vemos em alguns são versos do Alcorão. Sua impressionante estrutura virou cartão postal de Jerusalém, podendo ser facilmente vista em fotos. De lá, é possível ter uma bela vista do Monte das Oliveiras. A pequena estrutura que vocês podem ver ao lado do Domo, nas fotos abaixo, é o “Dome of the Chain” e supostamente o ponto central do mundo.

Programe sua visita ao Monte do Templo corretamente para não perder a oportunidade. O local abre para visitantes apenas de domingo à quinta-feira, exceto em feriados muçulmanos. Verifique os horários de visita, pois eles mudam no verão e inverno. Chegue pelo menos meia hora antes do horário de abertura para visitas para pegar um lugar razoável na fila. Não adianta, tem que ter paciência mesmo. Para acessá-lo, sobe-se um rampa ao lado do Muro das Lamentações, passando por barreiras policiais e raios-X. Certifique-se que você está vestido(a) razoavelmente, com as pernas e braços cobertos – policiais da organização WAQF irão determinar se sua roupa está adequada ou não no segundo checkpoint. No primeiro checkpoint você passará por uma revista. Artigos religiosos são proibidos. Ipads também não são permitidos, pois podem conter aplicativos religiosos tipo “The Bible App” (juro)! Recomendo ir com a menor bolsa ou mochila possível para passar rapidamente pela revista já que o tempo no Monte do Templo é contado e precioso.

O MURO OCIDENTAL

O Muro Ocidental (“The Western Wall” em inglês), também conhecido como o “Muro das lamentações”, é o lugar mais famoso de Israel e o mais sagrado do mundo judaico! Situado na parte judia da Cidade Velha, o muro está aberto 24 horas por dias, todos os dias, e não possui nenhuma restrição quanto à religião – aqui todas são aceitas e todos são bem-vindos! As únicas exigências são a separação de homens e mulheres durante a oração, e que homens cubram a cabeça com um kippa, e as mulheres cubram os ombros e as pernas. Os homens possuem uma entrada separada das mulheres e acessam uma parte diferente do muro.

A energia do muro é muito forte! Independente da sua religião ou crença, é impossível não se comover. O Muro Ocidental é tão importante para os judeus porque ele simboliza o ponto mais perto do “Holies of Holy”, e, portanto, de Deus. Reserve alguns minutos para tocar o muro e absorver toda energia em sua volta! A tradição é anotar o seu pedido em um pequeno pedaço de papel e enfiar nos buracos entre as pedras do muro que datam mais de dois mil anos!  Caso queira orar também, bíblias e outros artigos religiosos estão disponíveis para uso temporário.

O Muro Ocidental é a única porção sobrevivente do Segundo Templo que foi totalmente destruído pelas legiões de Tito. Num rápido resumo, o Primeiro Templo foi comissionado pelo rei Salomão e continha as tábuas originais com os dez mandamentos, mas foi destruído pelos babilônios. Herodes então reconstruiu o templo logo em seguida e acrescentou grandes muralhas para formar a base do edifício principal. O Muro Ocidental que vemos hoje é a única parte dessas muralhas que permaneceu de pé após a ocupação romana. O eufemismo do bolo se aplica aqui também: o Muro é feito de 45 diferentes camadas/blocos de pedras calcárias, 28 acima da superfície e 17 subterrâneas. As sete primeiras camadas visíveis são do período Herodiano, e as restantes de diferentes períodos de ocupação muçulmana. Estima-se que a altura total do muro seja em torno de 32 metros, mas apenas 19 metros estão expostos hoje. O Muro Ocidental tem 488 metros de largura, mas somente uma pequena parte dele é visível, enquanto o restante está escondido atrás de estruturas no Muslim Quarter.

FUN FACT: Ao completar 13 anos, um jovem atinge a maioridade religiosa judaica. Para marcar esta passagem, é celebrado o Bar-Mitzvá, uma cerimônia alegre e festiva que ressalta a importância de cada um dos judeus na corrente ancestral do judaísmo. O Bar-Mitzvá é comemorado na segunda ou quinta-feira mais próxima da data do aniversário do jovem segundo o calendário judaico, pois a leitura da Torá é feita nesses dias. Na Cidade Velha, na região perto do Muro Ocidental, uma atmosfera divertida toma conta nesses dias com dezenas de celebrações acontecendo uma atrás da outra. É uma cena bem legal de se presenciar.

MAHANE YEHUDA MARKET

O Mahane Yehuda Market, também conhecido como “The Shuk”, é um mercado parcialmente ao ar livre com mais de 250 quitandas, cafés, bares e restaurantes. Algumas lojas abrem apenas de dia, outras apenas a noite. Aliás, dependendo da hora do dia, o mercado tem uma aparência totalmente diferente! De dia o lugar é vibrante e é possível provar diferentes tipos de comida, tomar um café, almoçar ou apenas observar o mix de culturas na cidade. Eu almocei aqui um dia e adorei! À noite, a parte coberta do mercado ganha vida com todos os bares divertidos e restaurantes deliciosos, onde turistas e locais se encontram. Tem bastante opção animada também ao redor da rua principal do mercado. As portas das lojas são todas grafitadas e você consegue ver isso bem melhor à noite quando elas estão fechadas! É bem cool!

YAD VASHEM

O Estado de Israel se comprometeu a lembrar e nunca esquecer os crimes perpetrados contra a população judaica, e em 1953 estabeleceu o centro Yad Vashem, “The Holocaust Martyrs’ and Heroes’ Remembrance Authority”, com o intuito de recordar os seis milhões de judeus assassinados pelos Nazistas e seus colaboradores, preservando a herança de milhares de comunidades judaicas destruídas, prestando homenagem aos presos e heroicos combatentes dos guetos, e honrando aqueles que arriscaram suas vidas para salvar os judeus.

O local é situado em Har Hazikaron (no Monte da Recordação), numa bela propriedade de 45 hectares, e possui a biblioteca mais extensa de arquivos do Holocausto no mundo. Outros destaques são o “Hall of Names”, o Museu de História do Holocausto, e os memoriais únicos como o “Children’s Memorial” e o “Hall of Rememberance”, com o nome de todos os campos de concentração. Yad Vashem é o principal centro do mundo para recordações, documentação, pesquisa e educação sobre os trágicos acontecimentos do Holocausto.

A entrada é gratuita. Se desejar, você pode comprar um mapa e/ou alugar um “audio guide”.  Não recomendaria visitar o local com crianças…achei o ambiente bem pesado e intenso, e o Museu de História possui bastante material gráfico e explícito. Saí bem mal do museu – é difícil não se comover diante das horríveis atrocidades cometidas. Mas o centro é lindo, todo moderno com jardins lindos. Vale muito a pena conhecer, especialmente se você teve familiares envolvidos. Espere passar entre 1h30-5h aqui, depende muito de cada um!

MASADA

Masada (ou “Massada”) é um monte rochoso, de topo achatado, situado no litoral sudoeste do Mar Morto no meio do deserto. Com penhascos íngremes e terreno acidentado, o local serviu como uma das fortalezas da Judéia, onde Herodes construiu um complexo de muralhas e ergueu seu palácio em estilo clássico. Neurótico por natureza, vez que não era rei legítimo de sangue, Herodes reforçou e ampliou a antiga fortaleza. Situado a 520 metros acima do Mar Morto, a fortaleza só era acessível por uma difícil trilha que serpenteava a montanha. Essa trilha ficou conhecida como “The Snake Path” e até hoje é utilizada por visitantes que assim como eu, optam por escalar até o topo. A fortaleza de Masada é o segundo lugar mais visitado depois do Muro Ocidental e possui grande importância na religião judaica.

Como vocês já devem ter percebido, sou fã daquelas horas especiais do dia: o nascer e pôr do sol! Então, minha decisão de escalar a fortaleza de Masada de madrugada para ver o sol nascer parecia boa. Ela até foi, mesmo que as nuvens tenham atrapalhado um pouco a visibilidade, mas quando o meu despertador tocou às 3am eu queria morrer e pensei em desistir 20 vezes do passeio! Criei coragem, me troquei e desci para encontrar minha guia que estava prontamente esperando no lobby do hotel às 3h30! O céu estava escuro e a estrada abandonada! Cerca de 30 minutos depois, entramos no deserto e vimos a paisagem mudar completamente. Também já era possível ver as luzes da Jordânia do outro lado! Levamos quase duas horas para chegar na base de Masada e no caminho passamos por trechos com cheiro bem ruim e forte de enxofre.

Antes de tudo, preciso esclarecer que não é necessário acordar tão cedo para visitar Masada – você pode ir em horários de gente normal hahaha! Também não é necessário passar pelo sofrimento da escalada pelo “Snake Path”, basta visitar o local nos horários de funcionamento do bondinho que leva você direto até o topo. Caso você decidir seguir meus passos, saiba que a escalada não é fácil – a trilha possui 6.5 km de extensão e é bem sinuosa, cheia de degraus desnivelados e íngremes. Segundo o parque, uma pessoa leva em média entre 45-90 minutos para atingir o topo, dependendo do preparo físico. Para os curiosos hahaha saibam que meu timing foi excelente – subi em exatos 35 minutos! Fiquei orgulhosa da minha performance e me senti uma atleta hahaha! Se puder dar uma dica, confira a previsão do tempo antes de resolver ver o sunrise, pois não vale madrugar se o tempo estiver ruim. O verão é a melhor época para fazer esse passeio – não tem uma nuvem no céu!

O MAR MORTO

Depois de Masada, seguimos viagem em direção ao Mar Morto. O Mar Morto na verdade é um lago hipersalino que se encontra entre Israel e a Jordânia. Por ser 8x mais salgado que o oceano ele também é referido como “O Mar do Sal”. As margens do lago são 420 metros abaixo do nível do mar tornando-o o lugar mais baixo na superfície da terra. Uma foto com a placa escrita “The lowest place on Earth” é obrigatória! Existem diversos lugares para “nadar” e tudo depende do seu ponto de partida. Como eu já estava longe, em Masada, aproveitamos para ir na “parte mais bonita” segundo a minha guia! Quem vem de Jerusalém para fazer esse passeio acaba parando numa praia mais perto, cerca de 45 minutos de carro, onde também é possível espalhar a famosa lama pelo corpo. Nadar no Mar Morto já estava na minha #buckletlist faz tempo então foi demais finalmente poder riscar isso da lista! Você realmente flutua e a água contém tanto sal e químicos que qualquer objeto que não seja feito inteiramente de ouro oxida e estraga na hora! Isso inclui os celulares!! Ou seja, as fotos só podem ser tiradas de longe se não quiser ficar sem telefone! A parte do Mar Morto que fui era super bonita, mas ainda era muito cedo, tinha muita névoa, então minhas fotos não fazem jus à cor da água 

OS RESTAURANTES

A comida em Israel é deliciosa! De modo geral, eu comi melhor em Jerusalém do que em Tel-Aviv, mas eu também experimentei mais restaurantes, então talvez seja por isso. Na primeira noite fui jantar no Satya, um restaurante aconchegante com cozinha mediterrânea. O menu é bem eclético, mas a comida é deliciosa. Como eu estava sozinha, sentei no balcão do bar, foi super agradável. Na segunda noite eu jantei no restaurante do meu hotel, o Mamilla Rooftop Restaurant. A cozinha fica aberta até mais tarde então é ideal para um late dinner! A comida estava MUITO boa! Comi o melhor prato da viagem aqui. O único problema é que achei o restaurante caro então fica a dica! Na terceira noite meu amigo chegou em Jerusalém então pela primeira vez na viagem não sentei no balcão para jantar! Kkkk. Fomos jantar no badalado The Culinary Workshop que foi super recomendado por alguns amigos. O restaurante é lindo e aconchegante, e a comida excelente! Tudo estava bom: a polenta trufada de entrada, o risoto de cogumelos como prato principal, e a sobremesa divina “Top notch bavarian cream with toffee and almonds”! Super recomendo. Sabe aquela expressão “save the best for last”? Pois então, na minha última noite da viagem fui jantar no famoso Machneyuda! Esse é disparado o restaurante mais concorrido da cidade!! Absolutamente todo mundo que eu pedi dicas me indicou esse lugar! Para ter uma ideia, o restaurante tem lista de espera de 2 meses – sorte que minha guia conseguiu encaixar a gente para sentar no balcão, mas o único horário disponível era 18h30. Fomos mesmo assim e enrolamos para pedir os pratos…sem pressa! O restaurante fica ao lado do mercado Mahane Yehuda (não confunda os nomes) e é bem divertido e animado! A música rola solta e os cozinheiros cantam e dançam! A comida é boa e o menu de drinks também! Reserve com muita antecedência! Situado dentro do mesmo mercado fica o restaurante Azura. O lugar é simples, mas vive lotado no almoço. A cozinha é meio árabe e super saborosa. Eu amei o “Sha’ariya rice”, um arroz feito com macarrão servido de acompanhamento. Vale a pena almoçar aqui. Almocei dois dias no Mamilla Mall no Café Rimon, um restaurante com mesinhas ao ar livre bem agradável com cardápio internacional. Outros restaurantes também muito recomendados, mas que não provei são o Eucalyptus e o Mona.

AS LOJAS

Mesmo sendo consumista, não consigo associar Jerusalém com compras! Não obstante, não poderia de indicar os melhores lugares para fazer um shopping! A maioria está concentrado na Cidade Velha, mas no Mamilla Mall você encontra as melhores lojas da cidade – uma mistura de grifes internacionais e estilistas locais. Tem até uma loja da Rolex! Dentro da Cidade Velha, vale conferir as peças especiais da loja Mariah no Jewish Quarter. Aqui você pode comprar colares delicados e únicos feitos com pedaços dos escombros das muralhas originais. Se você gosta de obras de arte ou souvenirs mais sofisticados, caminhe pela galeria restaurada do Cardo (a parte nova). Esse corredor de lojas levará ao Shuk da Cidade Velha, no Muslim Quarter, onde você encontra de tudo, literalmente – temperos, artigos e acessórios religiosos, bonés, camisetas engraçadas, porcelanas e artesanato, entre outras coisas. Achei a porcelana colorida da armênia especialmente linda. Além do Shuk, é possível encontrar essas peças em algumas lojinhas do bairro Armênio.

IMPRESSÕES GERAIS

Jerusalém é diferente de qualquer cidade que eu já estive por inúmeros motivos que eu poderia ficar listando. Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua vibração e os constantes contrastes entre o velho e o novo! Sendo uma cidade do Oriente Médio, eu já esperava encontrar os tons neutros do deserto em construções e paredes, mas não contava com o lado “colorido” que encontrei, em todos os sentidos. Você não precisa ser necessariamente uma pessoa religiosa para ir a Jerusalém, isso é um mito! Independente da sua religião ou crença, a cidade é fascinante e tem uma energia muito forte. Tenho certeza de que muitos (assim como eu já fiz antes) associam Jerusalém com religião, mas a cidade é muito mais que isso! Me surpreendeu. A cidade tem uma vida noturna agitada, arte moderna, sinuosos túneis subterrâneos, um cinema uber moderno, e um badalado centro gastronômico. Além do mais, a cidade em si é toda pitoresca. Me apaixonei pelas portas coloridas e seus detalhes – acho que foi a coisa que mais fotografei na viagem! Kkk.

Me fascina como uma das cidades mais antigas do mundo consegue misturar a antiguidade com os avanços tecnológicos e culturais de hoje, o novo e o antigo, o antigo e o moderno, islâmicos e judeus e cristãos, e de alguma forma conseguir viver na sua maior parte em harmonia, mesmo que ainda haja tensão! A cidade vai tirar o seu fôlego, literalmente! O eufemismo do bolo que usei acima para descrever Jerusalém é perfeito: camadas em cima de camadas, esperando para ser descobertas e puxadas uma por uma. A cidade é única na sua complexidade. Minha sugestão é não se perder tentando entender tudo, apenas sinta e absorva tudo a seu redor. Todo mundo deveria ir a Jerusalém pelo menos uma vez na vida se possível, é mágico!

MELHOR MOMENTO: Ver o sol nascer no topo da fortaleza de Masada, com o Mar Morto de fundo.

NÃO CONSIGO PARAR DE PENSAR EM: Herodes! Hahaha sério! O homem construiu tudo! Já quero ler a bibliografia dele!

PRATOS PREDILETOS: O filé mignon com spaetzle e cogumelos que comi no Mamilla Rooftop Restaurant!

O QUE BEBER AONDE: Prove um dos vinhos locais!

COMPREI: Só besteira! Hahaha. Acabei comprando souvenirs para os amigos e minha família – bonés, camisetas, pulseirinhas com a bandeira de israel, e até um camelo de pelúcia para o meu cachorro escrito “I Love Jerusalem” hahaha! Fez muito sucesso! Kkk

FATO SURPREENDENTE: A velocidade do serviço nos restaurantes! Toda vez, em qualquer restaurante, meu prato chegava dez minutos depois de ter feito o pedido – fiquei impressionada! Os Israelenses definitivamente são ágeis na cozinha!

IMPERDÍVEL: O Muro Ocidental

ONDE FICAR: Eu amei a localização do meu hotel, perto da Cidade Velha e ao lado da estação de trem, então recomendo ficar nele. O Mamilla Mall ao lado do hotel também é outra vantagem, sem falar que os melhores restaurantes ficam na mesma região ou são de fácil acesso. Em sendo assim, recomendo ficar nos seguintes hotéis: o Mamilla, o David Citadel (do mesmo dono do Mamilla e situado ao lado do hotel), o King David (icônico e luxuoso hotel que no verão tem a melhor piscina da cidade) ou o Waldorf Astoria (fica do outro lado da rua do Mamilla).

QUANDO IR: Recomendo ir na mesma época que mencionei no post de Tel-Aviv: na primavera. Entre os meses de março a junho o clima é bom, não chove e o calor é agradável. Em março ainda é o final do inverno então talvez você pegue um pouco de frio, mas nada muito drástico. Entretanto, no inverno neva muito lá e faz muito frio, então não recomendaria. Como Jerusalém é a “Terra Santa”, e a maioria das atrações são religiosas e exigem que pernas e braços estejam cobertos, o verão pode ser cruel! Como o clima é mais seco, faz MUITO calor! Imagina não poder colocar um short ou ter que ficar se cobrindo o tempo todo no calor! Sem falar no calor que faz no deserto essa época né?! Abril é o mês mais movimentado do ano, especialmente durante a semana da páscoa que é uma época importante tanto para os judeus quanto os cristãos. Se não quiser enfrentar a muvuca e as filas enormes, eu evitaria de ir nessa época.

O QUE LEVAR NA MALA: Novamente, depende da época do ano. Enquanto em Tel-Aviv quase sempre faz calor, Jerusalém tem estações bem distintas. Fui em março, época em que o tempo está um pouco instável, e estava BEM frio, especialmente à noite. Nos primeiros dias precisei de um casaco mais quentinho, mas nos restantes uma malha e pashmina eram suficientes para passear durante o dia. No final da tarde a temperatura despencava e um casaco quente era necessário. Se você for entre setembro e abril também recomendo levar uma capa de chuva ou algum tipo de proteção porque esses são os meses chuvosos. Nos restantes dos meses, não cai uma gota de água hahaha! Traga bastante roupa quente se você visitar Jerusalém no inverno, preferivelmente para vestir “em camadas”. Mulheres, não esqueçam de levar uma pashmina grande para cobrir os braços ou enrolar em volta das pernas quando você for passear nos bairros mais religiosos e ortodoxos, e na hora de entrar em igrejas, mesquitas ou sinagogas.

A SEGURANÇA

Recebi muitas mensagens durante a viagem me perguntando se era seguro ir para Jerusalém e se eu senti medo em algum momento, então achei importante mencionar isso no post. Eu não senti medo em nenhum momento durante a viagem inteira e me senti segura, especialmente em Tel-Aviv, que é uma paz. Jerusalém naturalmente tem suas tensões políticas então nota-se uma presença militar maior. A cidade recebe peregrinos e turistas do mundo inteiro e é frequentemente palco de manifestações e demonstrações, então de vez em nunca pode ser que aconteça algum momento mais tenso, mas é raro. A grande maioria dos pontos turísticos são seguros e controlados por uma polícia especial, como é o caso do Domo da Rocha, controlado pela organização WAQF. Além disso, o exército militar de Israel também está sempre presente na Cidade Velha e nas suas principais atrações. A polícia Israelita usa um uniforme azul marinho e branco, enquanto o exército usa um uniforme verde militar. Eu não fui na igreja da natividade em Belém, mas soube que lá é um pouco mais tenso, pois você cruza a fronteira para a Palestina, então se você não faz questão de conhecer o local do nascimento de Jesus, não recomendaria. Assaltos não são comuns em Jerusalém, mas fique de olho nos batedores de carteira na Cidade Velha. A verdade é que basta ficar de olho, atento. Com relação às mulheres, como a cidade possui muitos habitantes super religiosos, não recomendo andar sozinha na Cidade Velha, especialmente à noite. Com padrões mais extremos, os ortodoxos podem ofender uma mulher “liberal” demais nos olhos deles, então evite os bairros ultra religiosos! Nos mercados é comum os vendedores árabes importunarem, apenas ignore!

DICAS EXTRAS

NADA poderia me preparar para o banho de cultura e aula de história que eu tive enquanto estive lá, mas minha dica é ler um pouco sobre a história da cidade e do país antes de ir. Todo dia é uma OVERDOSE de informação que pode soar bem confusa se você não tiver refrescado sua memória. Você vai ouvir falar em praticamente todos os períodos da história da humanidade e três religiões diferentes o tempo todo! É tudo interligado, e aprender um pouco sobre essas religiões antes de viajar também vai ajudar! Afinal, a história de Jerusalém é muito complexa – são quase 4 mil anos de fé, crença, tragédia e guerra. Veja no final do post a timeline!

Se você não tiver um plano de roaming, recomendo comprar um chip local com dados, pois você vai precisar consultar o Google Maps o tempo todo! Diferente de Tel-Aviv onde tudo é muito bem sinalizado, Jerusalém tem pouca placa e pedir direções é difícil porque poucos falam inglês ou simplesmente não fazem questão de ajudar, então ou você adivinha ou vira melhor amigo go Google Maps hahaha!

Também recebi mensagens perguntando se era tranquilo viajar sozinha! Eu pessoalmente não me importo de viajar sozinha, até gosto porque sou hiperativa e não paro, então poucos acompanham meu pique o tempo todo! Viajei sozinha pra Israel e foi bem tranquilo porque durante o dia eu estava sempre ocupada com a conferência ou explorando os lugares com minha guia. Então não deixe isso ser um impedimento! Aliás, eu recomendo MUITO ter um guia privativo. A Deb (minha guia) fez toda diferença e tornou minha viagem mais agradável e enriquecedora. Uma outra vantagem é que você pode tirar mais dúvidas, ver mais coisas, ir no seu próprio ritmo, ter um carro só pra você, não depender dos outros, etc. Além do mais, quando você tem a guia só para você ou para sua família, por exemplo, você aprende mais histórias do lugar, fatos curiosos, etc. Eu não posso recomendar minha guia o suficiente! A Deb é brasileira e mora em Israel há mais de 30 anos! Ela é super culta, conhece tudo, e foi SUPER paciente tirando todas minhas fotos hahaha! Se alguém estiver com viagem marcada para Israel e quiser o contato, pf. me avisa!

E por último, organize seu roteiro de maneira inteligente para otimizar seu tempo! É importante levar em conta os horários e feriados religiosos. Jerusalém tem MUITA coisa para ver e fazer, até me assustei, e os dias lá sempre serão poucos! Minha guia sempre falava que para conhecer a cidade e ver tudo que ela oferece seria necessário passar pelo menos 10 dias! Então não se frustre, apenas escolha os lugares que você mais tem vontade de conhecer e se sobrar algum tempo, ótimo! Eu obviamente não conheci metade dos lugares, mas fora os passeios que contei acima, recomendo também:

  • Andar pelas muralhas da Cidade Velha
  • Conhecer o túnel de Ezequias na antiga Cidade de Davi
  • Visitar os túneis do Muro Ocidental para ter uma ideia da dimensão da muralha
  • Fazer o tour de Segway pela cidade
  • Visitar o Museu de Israel, tirar uma foto em frente à famosa parede de arco-íris logo na entrada e ver os Pergaminhos do Mar Morto
  • Visitar a igreja da natividade em Belém, na Palestina
  • Visitar a igreja de São João Batista
  • Conhecer a reserva natural de Ein Gedi e nadar na Cachoeira de Davi
  • Explore o Monte das Oliveiras

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