DIdi Krepinsk

Reserve Aqui 06/05/2020

Retomando a série de posts sobre a minha viagem para a África em setembro e outubro do ano passado, depois da Tanzânia (Zanzibar, Ngorogoro Crater e o Serengeti), a próxima parada foi Ruanda para fazer o gorilla trekking! Esse foi sem dúvida um dos grandes highlights da viagem e uma experiência inesquecível! Vou tentar descrever e explicar tudo da melhor maneira possível, mas a sensação de estar tão perto dos gorilas no habitat natural deles é absolutamente incrível e indescritível. Vale cada centavo e cada minuto da viagem! Se você tem esse interesse, não deixe de fazer! É uma experiência marcante que deveria entrar na #bucketlist de todo mundo! Tem uma palavra em inglês que não sei como traduzir, mas que define perfeitamente a experiência: “humbling”!

Montamos a viagem toda da África com base nas datas disponíveis do Bisate Lodge. Nós reservamos o lodge com um ano de antecedência, e mesmo assim, pegamos as últimas noites disponíveis em setembro! Por isso, reitero aqui a necessidade de planejar e reservar essa viagem com antecedência, especialmente se você quiser fazer o gorilla trekking em Ruanda. Além do hotel, é necessário garantir também os “permits” (as autorizações) para fazer o gorilla trekking com antecedência, pois de nada adianta reservar o hotel e depois não conseguir ver os gorilas né?! Existem apenas 96 permits disponíveis por dia, ou seja, 96 pessoas! Para poder ver os gorilas é necessário ter essa autorização. O permit para fazer o gorilla trekking custa USD 1500 por dia por pessoa. Sim, é super caro, mas garanto que será inesquecível! Nesse valor está incluso apenas o valor do passeio (a trilha e a “interação” com os gorilas durante 60 minutos) –  ainda é preciso pagar as gorjetas para o guia, os trackers e o seu porter, caso você contrate um. Vou explicar essa parte melhor mais adiante. A gorjeta não é opcional – já é algo implícito que eles esperam. Além disso, você ainda vai ter que contratar um guia local para fazer todos os traslados durante a sua estadia, incluindo para o início das trilhas. Nada disso está incluso no valor do permit.

Crianças menores de 15 anos não são permitidas por motivos óbvios. Uma certa conduta e postura é exigida quando se está na presença dos gorilas, sem falar na questão da dificuldade das trilhas e o simples fato de que podem sentir muito medo. Imagina o perigo de uma criança começar a gritar, chorar ou apontar o dedo na frente dos gorilas! Não tem o menor cabimento! Outra coisa óbvia é que não é permitido tocar os gorilas em hipótese alguma! É proibido! Mesmo se encostarem em você, a ordem é não tocar de volta! Me perguntaram se podia abraçar os gorilas e não preciso nem responder né?! Kkk. A resposta é NUNCA! Mas vou explicar isso melhor mais abaixo. Os gorilas estão lá o ano todo, por isso é possível fazer o trekking durante o ano todo, mas existem épocas melhores que outras. A alta estação é de junho a setembro, pois é quando chove menos. Eu recomendaria evitar os meses de março a maio porque é quando chove forte e você pode ficar com lama até os joelhos na trilha! Aí o que já é difícil fica mais ainda!

Atualmente, restam cerca de 1000 “mountain gorillas” (gorilas das montanhas) no mundo. Eles vivem exclusivamente em Ruanda, Uganda e DRC (República Democrática do Congo) em duas subpopulações separadas. A subpopulação de Virunga abrange todo o Maciço de Virunga, uma rede de 440 km² de áreas protegidas nas fronteiras de Ruanda (Volcanoes National Park), Uganda (Mgahinga National Park) e DRC (Virunga National Park). A subpopulação de Bwindi é restrita principalmente ao Bwindi Impenetrable National Park (BINP) de 330 km² em Uganda. Como o próprio nome indica, os gorilas das montanhas vivem em florestas altas nas montanhas, a altitudes de 2000 a 4000 metros. Eles têm cabelos mais grossos e densos em comparação com outros grandes macacos, o que os ajuda a sobreviver em um habitat onde as temperaturas costumam cair abaixo de zero. Mas, à medida que os humanos se deslocam cada vez mais para seu território, os gorilas são empurrados para o topo das montanhas por períodos mais longos, forçando-os a suportar condições perigosas e às vezes mortais.

Os mountain gorillas ganharam holofote mundial através do trabalho conservacionista de Dian Fossey. Considerada a principal autoridade mundial em fisiologia e comportamento dos gorilas das montanhas, Fossey lutou duro para proteger esses “gigantes gentis” dos riscos ambientais e humanos. Enquanto trabalhava como terapeuta ocupacional, Dian se interessou por primatas durante uma viagem à África em 1963. Ela estudou os gorilas ameaçados de extinção da floresta montanhosa de Ruanda por duas décadas. Fossey contou sua história no livro Gorillas in the Mist (1983), que mais tarde foi adaptado para um filme estrelado por Sigourney Weaver. Tragicamente, em dezembro de 1985, Fossey foi encontrada morta, presumivelmente por caçadores ilegais, em seu acampamento dentro do Volcanoes National Park em Ruanda. Nenhum suspeito foi encontrado ou processado em seu assassinato.

A população de mountain gorilas já chegou a atingir uma baixa acentuada de 242 indivíduos em 1981, colocando o animal a um passo da extinção. O que poderia ter sido uma perspectiva sombria para a subespécie há apenas duas décadas, se iluminou nos últimos anos devido aos esforços de conservação. Apesar dos contínuos conflitos civis, caça ilegal e invasão humana, as populações de gorilas das montanhas aumentaram em número. As maiores ameaças aos gorilas são: os conflitos locais prolongados (ondas de refugiados se estabeleceram na região em torno do Parque Nacional Virunga, que abriga mais da metade da população de gorilas da montanha, levando à caça ilegal e à destruição do habitat dos gorilas); perda de habitat (humanos em busca de terras para agricultura e pecuária); doenças (gorilas são vulneráveis ​​a doenças humanas e podem sofrer em formas mais graves); produção de carvão (a produção de carvão vegetal – uma indústria ilegal e multimilionária – impactou negativamente o habitat dos gorilas); e a caça ilegal. A última caça ilegal de um gorila ocorreu em 2001, mas o problema é que gorilas podem ser pegos e prejudicados por armadilhas para outros animais selvagens.

Mesmo assim, de forma encorajadora, o número de gorilas das montanhas continua aumentando – na verdade, o número já quadruplicou, tanto que, em 2018, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) mudou seu status de criticamente ameaçado para ameaçado. Motivos para comemoração! O aumento no número de gorilas é atribuído à eficácia de políticas e estratégias de conservação, especialmente voltadas ao turismo sustentável, tratamentos veterinários constantes, aplicação intensiva da lei, projetos de conservação juntos às comunidades que vivem nas proximidades desses parques nacionais e colaboração entre governos de diferentes fronteiras, instituições e ONGs. Além disso, esses resultados são um testemunho do incansável esforço dos rangers que diariamente protegem e monitoram os gorilas e o seu habitat. A população global de gorilas da montanha cresceu oficialmente para 1063 indivíduos de acordo com o último censo. Quando eu estive lá ano passado, o número oficial era 1004, mas em dezembro saiu o novo número de 1063!

O governo de Ruanda vem fazendo um trabalho incrível que merece ser destacado. Em 2005, o governo investiu muito em treinamento para mostrar aos caçadores ilegais que eles poderiam se beneficiar mais por um turismo de luxo sustentável ao invés de matar os gorilas. Desde então, todo dinheiro arrecadado com os permits é destinado à preservação dos gorilas e em apoio às comunidades locais. O crescimento do turismo é cuidadosamente gerenciado em Ruanda juntamente com o crescimento do Parque Nacional. Apenas 96 autorizações são concedidas a cada dia para visitar os gorilas e o tempo com eles é limitado a 1 hora. Esse crescimento gera renda que apoia as comunidades locais, que em tempos passados tinham que caçar animais selvagens (como os gorilas) para sobreviver, mas agora estão levando vidas felizes e prósperas como guias, trackers (rastreadores), etc. Com essa mudança, os gorilas não temem mais ser caçados por humanos e são livres para serem eles mesmos em seu habitat natural. Através do turismo sustentável, hoje os gorilas deixaram de ser uma espécie criticamente ameaçada. E para celebrar tudo isso, desde 2005, acontece a cerimônia anual de nomeação dos novos bebês nascidos! Já são mais de 281 baby gorillas nomeados! Em 2019 eles nomearam 25 novos bebês! Muito legal né? E o local que construíram onde acontece a cerimônia é lindo! Hoje, o trabalho de Dian Fossey continua através do Dian Fossey Gorilla Fund International. O fundo é líder mundial na proteção e no estudo dos gorilas, ajudando as comunidades a desenvolver suas capacidades de conservação. Para saber mais e/ou contribuir, acesse https://gorillafund.org/.

Você deve estar se perguntando: “Mas porque fazer o trekking em Ruanda e não em Uganda ou no Congo?”. Vamos lá. De fato, estes são os três únicos países do mundo aonde você pode encontrar os mountain gorillas, mas o Congo (DRC) está fora de cogitação, pois o país é hoje, possivelmente, um dos lugares mais perigosos no planeta! Juntamente com a constante instabilidade de segurança, o crime no Congo está fora de controle, um exemplo perfeito de um estado falido no coração da África. É muita violência, você não seria nem louco de ir para lá! Com isso, sobra apenas Ruanda e Uganda. Nós escolhemos Ruanda, pois nos foi recomendado pela empresa especialista que organizou o nosso safari. Conversando com diferentes pessoas durante a viagem toda, pelo o que pude perceber, a experiência de gorilla trekking em Ruanda é realmente melhor do que em Uganda. Os motivos exatos eu não sei dizer, mas imagino que seja pelo fato de Uganda ter um turismo mais barato, e, portanto, menos sustentável. Diferente de Ruanda, eu não sei qual é o destino do dinheiro arrecadado com os permits, por exemplo. Eu entendo que é um programa caro e que não cabe em todos os bolsos, e se for este o caso, vá então para Uganda. Mas tendo a possibilidade, não pense duas vezes e vá para Ruanda! Essa é a minha dica! Pelo menos em Ruanda você sabe que o dinheiro dos permits é devolvido às comunidades locais e usado para a conservação dos gorilas. Indiretamente você está fazendo o bem. O governo de Ruanda escolheu focar no turismo de luxo sustentável de propósito, pois não querem atrair o turismo em massa. A experiência é mais restrita e acho que o governo está certíssimo! Com isso, a qualidade e os padrões dos hotéis são muito superiores aos de Uganda. E sem falar que foi em Ruanda onde tudo começou com a Dian Fossey e a família de gorilas chamada Susa né?! Kkk.

Antes de entrar no breakdown dos meus dias em Ruanda, queria responder uma pergunta que me fizeram muito: “Tem mais coisas para fazer em Ruanda ou só o gorilla trekking? Basta um dia de trekking?”. Bom, você pode fazer quantos trekkings você quiser, mas a maioria das pessoas acaba fazendo dois. Vale lembrar que é um por dia ok? Eles sempre saem pela manhã. Não tem como fazer dois trekkings num mesmo dia! Como é um programa caro, entendo quem puder fazer apenas uma vez, mas eu recomendaria fazer pelo menos duas! Vale muito a pena – cada dia é uma experiência completamente diferente! No meu caso, o segundo trekking foi muito melhor que o primeiro. Saí da primeira trilha com gostinho de quero mais e caso não tivesse feito uma segunda, teria faltado algo sabe?! No segundo dia teve mais emoção, adrenalina, medo…e vou confessar que eu senti falta de um terceiro viu?! Então fica a dica! Kkk. Mas além dos gorilas, próximo ao Volcanoes National Park você pode fazer uma série de trilhas pela natureza, como o Dian Fossey Trek, e ver os Golden Monkeys que são uma espécie de macacos endêmica da região. Em Kigali, a capital, você pode visitar o museu do genocídio. Além disso, no Akagera National Park, na fronteira com a Tanzânia, é possível fazer safari e ver o Big 5. Inclusive, tem um lodge maravilhoso da Wilderness Safaris que abriu lá ano passado chamado Magashi! Já estou louca para ir! Como nossa viagem era bem longa, optamos por focar apenas no gorilla trekking, mas é possível sim explorar mais Ruanda!

DAY 9

Nos hospedamos por duas noites no Bisate Lodge, em Ruhengeri, próximo ao Volcanoes National Park. Para chegar lá, vamos de Auric Air direto do Serengeti para Kigali. Auric Air é uma das empresas que opera os “bush flights” (aqueles aviões bem pequenos). Decolamos às 8h do Kogatente Airstrip, no Serengeti, na Tanzânia, e voamos cerca de 45 minutos até Mwanza, aonde tivemos que parar para controle de imigração (dar a saída de Tanzânia e carimbar o passaporte) antes de seguir viagem. De Mwanza para Kigali, o principal ponto de entrada, foi mais 1 hora de voo. Foi bem tranquilo. Chegando em Kigali, fizemos a imigração. Já tínhamos feito o e-visa online antes de viajar, mas é possível tirar o visto na hora também. Achei o aeroporto de Kigali ótimo, super em ordem. Com cerca de 1,5 MM de habitantes, Kigali é a capital de Ruanda desde que o país se tornou independente em 1962. Nosso guia/motorista estava nos aguardando no saguão de chegada e nos levou para o carro. Fizemos um transfer direto do aeroporto de Kigali para o Bisate Lodge, onde nos hospedamos. Tínhamos a opção de visitar o museu do genocídio em Kigali, mas preferimos ir direto para o hotel.

Para quem não sabe, o genocídio em Ruanda ocorreu entre abril e julho de 1994 durante a Guerra Civil de Ruanda. Em apenas 100 dias, cerca de 800 mil pessoas foram massacradas por extremistas étnicos hutus em sua campanha de limpeza étnica. Na sua mira, membros da comunidade minoritária tutsi, bem como seus oponentes políticos. Muitos locais dizem que o genocídio começou muito antes, em 1959, quando os hutus derrubaram a monarquia tutsi e dezenas de milhares de tutsis fugiram para países vizinhos, incluindo Uganda. Foi um dos piores genocídios da história moderna. Acho que muita gente associa Ruanda com o genocídio até hoje e imagina um país violento e em conflito, como é atualmente no DRC, mas isso não poderia estar mais distante da realidade. Hoje, com cerca de 12 milhões de habitantes, Ruanda é o país mais limpo da África e 100% seguro! Aposto que vocês não sabiam disso né?! O país é tão limpo e tão em ordem que existe até um dia nacional da limpeza, Umuganda, que acontece no último sábado de cada mês e todo povo de Ruanda deve participar! Kinyarwanda é a língua nacional de Ruanda e a primeira língua de quase toda a população do país. É um dos idiomas oficiais do país, além de francês, inglês e swahili. A maioria das pessoas fala inglês, pois aprendem na escola desde cedo, então é fácil de se comunicar. “Malaho” significa “olá” na língua local e “murakoze” é “obrigado”! A econômica é estável e o índice de corrupção no país é quase zero! A diferença salarial entre as mulheres é uma das mais baixas do mundo! Você sabia que 64% do parlamento é composto por mulheres? Após o genocídio, muitas se viram tendo que ocupar cargos importantes que previamente pertenciam aos homens.

Após três horas de viagem na estrada, finalmente chegamos no lindíssimo e exclusivo Bisate Lodge, da Wilderness Safaris. Antes de entrar nos detalhes do hotel, eu queria falar um pouco da Wilderness Safaris, pois durante a viagem ficamos em três lodges deles e simplesmente amamos! Fundada em 1983, a Wilderness Safaris surgiu quando ainda pouco se falava em ecoturismo. Ela surgiu como uma empresa que oferecia safáris para pessoas com um olhar diferenciado para viagens, e continua, até hoje, oferecendo jornadas que mudam a vida das pessoas em alguns dos lugares mais remotos e intocados da África. Desde sempre, a Wilderness dedica-se à conservação da biodiversidade e minimiza os impactos negativos que suas operações possam ter no meio ambiente, direta e indiretamente. Atualmente, a Wilderness Safaris tem a maior operação de conservação do mundo com cerca de 3 milhões de hectares das melhores reservas naturais da África. Eles operam cerca de 50 lodges em 7 países: Botswana, Namíbia, África do Sul, Zimbabwe, Zâmbia, Quênia e Seychelles.

O Bisate Lodge está localizado no anfiteatro natural de um cone vulcânico erodido, com vistas dramáticas dos picos dos vulcões Bisoke e Karisimbi, dentro da concessão Bisate, uma área de 42 hectares adjacente ao Parque Nacional dos Vulcões. Bisate fica a uma curta distância de carro da sede do parque, de onde os trekkings partem diariamente. O lodge é o primeiro alojamento de safári genuinamente luxuoso e sustentável de Ruanda, centrado na experiência mais imersiva de primatas selvagens da África – o gorilla trekking! São apenas seis villas no meio da floresta que oferecem o máximo de luxo e conforto, com vistas de tirar o fôlego, aderindo sempre a princípios ambientalmente responsáveis e refletindo a rica cultura da zona rural de Ruanda. A Wilderness é pioneira quando falamos de arquitetura em meio ambientes sensíveis – é essencial que seus lodges tenham o menor impacto ambiental possível, não apenas durante o processo de construção, mas também nas operações do dia-a-dia. Auditorias ambientais bianuais são realizadas nos lodges para garantir que eles mantenham esses altos padrões e identifiquem onde é possível melhorar.

O hotel é absolutamente MARAVILHOSOOO! Sem exageros. Junto com o Mombo Camp, que também pertence à Wilderness e onde me hospedei em Botswana, o Bisate é o lodge mais bonito e mais incrível da África na minha opinião! Amei, amei, amei! Recomendo de olhos fechados. Fiquei arrasada na hora de ir embora e teria ficado facilmente mais uma noite, mas quando fomos reservar pegamos as últimas duas diárias disponíveis! Como mencionei acima, o hotel é super pequeno (tem apenas 6 quartos) e super concorrido, portanto, faça a sua reserva com MUITA antecedência! A palavra “bisate” significa “quebrado em pedaços” na língua local. A inspiração para a sua arquitetura e design vieram de um dos palácios reais de Ruanda. Todos os quartos lembram ninhos de pássaros, é bárbaro! A decoração, os detalhes, tudo é impecável no Bisate! Os decoradores utilizaram bastante material local também. Os gorilas estão por toda parte em pequenos detalhes – desde pequenas estátuas esculpidas de madeira no chão, aos walking sticks utilizados para se locomover pelo hotel, até ao desenho na espuma do seu café! O hotel abriu há pouco mais de dois anos, em setembro 2017. Hoje seus concorrentes são o Singita Kwitonda e o One & Only Gorilla’s Nest, ambos abrindo o ano passado. O One & Only é bem maior, com 25 quartos, então você tem mais chance de conseguir disponibilidade se reservar com menos antecedência. O Singita dispensa apresentações, conheci duas famílias que ficaram lá e gostaram, mas vendo os vídeos e as fotos, para mim não resta dúvida de que o Bisate é o mais especial de todos! Se puderem, fiquem no Bisate Lodge! Tenho certeza absoluta que vocês irão se apaixonar pelo hotel, assim como eu.

A viagem foi bem cansativa, pois saímos cedo do nosso lodge no Serengeti, e chegamos morrendo de fome no hotel, então a primeira coisa que fizemos foi almoçar! Já aproveito para dizer que a comida do hotel é incrível! Foi a melhor da viagem, sem dúvida alguma! O menu é bem variado e tem até pizza artesanal! Claro que não pensei duas vezes e pedi uma. Após 10 dias na África, a pizza caiu como uma luva! Kkk. Depois de fazer um rápido tour pelas áreas comuns, fomos para os quartos e nos instalamos. As áreas comuns do hotel não são grandes, mas são extremamente aconchegantes e muito bonitas! Tem uma biblioteca, uma adega especial que você pode reservar para um jantar especial ou ter mais privacidade, um bar, uma sala onde todo mundo se encontra para tomar um drink no final do dia e dividir experiências, uma pequena lojinha e o restaurante. Talvez o que eu mais tenha gostado do hotel foi o tamanho, pois você acaba conhecendo e interagindo com todo mundo. O hotel é todo construído numa colina, então para chegar nos quartos é preciso subir um caminho bem íngreme – por isso você tem os walking sticks como apoio! Claro que o meu quarto tinha que ser o último né?! No topo da colina! Hahaha. Todo dia era um mega exercício subir e descer toda vez, pelo menos a vista compensava! Kkk. O quarto é simplesmente maravilhoso! Não vou ficar descrevendo, pois acredito que as imagens abaixo valem mais do que mil palavras. Posso apenas dizer que fiquei encantada e não queria ir embora do hotel! Desfiz a mala, arrumei as coisas, tomei um belo banho de banheira e fiquei descansando o resto da tarde. À noite nos reunimos todos na sala para um drink, conhecemos os outros hóspedes, e jantamos! Capotamos.

DAY 10

No dia seguinte acordamos cedo às 6h. Como eu mencionei acima, o gorilla trekking acontece apenas uma vez por dia, logo cedo pela manhã, às 7h, então é preciso acordar bem cedo. Me arrumei e desci para tomar café da manhã rapidamente antes de sair às 6h30. Quem acompanhou meus stories e especialmente meu IGTV sobre a mala de viagem, deve ter visto toda uma parafernália que precisei levar para usar no trekking. A boa notícia é que o Bisate Lodge providencia quase tudo, então não precisa trazer de casa. O hotel providenciou luvas, gaitors, capas de chuva e até mochilas. Já que eles estavam providenciando gratuitamente, fazia mais sentido usar e sujar o deles do que os meus né?! Kkk. Menos as luvas, que preferi usar as minhas, pois tenho mãos pequenas. Muitos me perguntaram sobre os gaitors, que são aquela proteção que veste por cima da calça. Eles servem para proteger da lama, mas especialmente de uma planta chamada “stingnettal” que apesar de não ser venenosa para humanos, quando entra em contato com a nossa pele, “queima” e fica ardendo por uns 5 minutos antes de passar. Então para evitar maiores incômodos, usamos isso porque essa planta passa mesmo pela calça. Na minha mochila eu levei pouca coisa, pois idealmente quanto menos pesada, melhor! Dentro eu levei meu par de luvas (vesti elas apenas quando entrava dentro do Parque Nacional mesmo), muita água, uma capa de chuva (sempre pode chover a qualquer momento) e minha câmera. Não pode levar comida para dentro do parque, então no máximo você coloca uma barrinha ou algo assim para beliscar logo após a trilha. Durante não pode.

Às 6h30 encontramos então nosso motorista na porta do lodge e saímos em direção aos headquarters do Volcanoes National Park. Do Bisate, leva cerca de 20 a 30 minutos para chegar lá. Eu estava MUITO animada, especialmente porque neste dia (24 de setembro) calhou de ser também o World Gorilla Day, um evento anual que celebra os gorilas capacitando as comunidades globais a tomarem medidas para a conservação deles. Antes de começar a fazer o trekking, é necessário ir primeiro para a sede do parque para fazer a triagem e verificação das licenças (permits), montar os grupos e passar as devidas instruções. Toda essa burocracia leva cerca de 45 minutos. O nosso motorista/guia cuidou de tudo, e enquanto essa triagem acontece, eles oferecem café, chás e chocolate quente. Em Ruanda, existem 20 famílias de gorilas, mas nós podemos visitar apenas 12 delas, pois as outras 8 são para fins de pesquisa. Como eu disse antes, são emitidas apenas 96 permits por dia, então essas 96 pessoas são divididas em grupos de no máximo 8 pessoas. Cada grupo é designada a uma família de gorilas. Os grupos são montados aleatoriamente e claro que você sempre estará junto com o resto da sua família. Acho importante esclarecer que você deverá levar em consideração a aptidão física da pessoa mais “fraca” do seu grupo e informar isso ao seu guia, que irá tentar negociar uma trilha mais fácil, dentro do possível, durante o momento da triagem. Meu pai estava anêmico e fraco na ocasião (um dos efeitos colaterais do remédio da malária que estávamos tomando) então eu sabia que ele não iria conseguir fazer uma trilha difícil. Combinamos então que no primeiro dia faríamos a trilha mais fácil todos juntos, mas por mim eu teria ido com outro grupo numa trilha mais difícil. No entanto, acho importante dizer que não é possível se dividir em diferentes grupos se você tiver apenas um motorista! Nós estávamos em quatro pessoas, então tínhamos apenas um motorista para nos levar para cima e para baixo. Com isso, não tinha como eu fazer uma trilha diferente, pois cada uma começa em um lugar diferente, afinal, cada família de gorilas está em um local diferente dentro do parque! Nenhuma trilha começa na sede – é preciso se deslocar por conta própria até o início da trilha, então com apenas um motorista, isso seria fisicamente impossível! Kkk. Eu queria fazer uma trilha mais difícil primeiro pelo desafio e segundo porque algumas das famílias mais conhecidas costumam a estar em locais mais altos dentro do parque, e consequentemente, as trilhas são mais difíceis. Mas claro que isso não significa que ao fazer uma trilha mais fácil sua experiência será pior ok? Quero que isso fique bem claro! Sua experiência será maravilhosa não importa qual trilha você fizer!

No primeiro dia fomos designadas à família Muhoza, que significa “consolo” na língua local. O nosso guia era francês e se chamava Emmanuel. Ele juntou o grupo e nos explicou um pouco sobre a família, falou um pouco mais sobre os gorilas e nos passou orientações e regras a serem seguidas dentro do Parque. A família Muhoza é chefiada pelo silverback que leva o mesmo nome. São 13 gorilas na família, incluindo 4 bebês! O silverback Muhoza pertencia à família Kwitonda em Uganda, antes de formar a sua própria aqui em Ruanda. Os gorilas existem em grupos familiares estáveis que consistem em um único macho dominante, chamado de silverback, 3 a 5 fêmeas adultas e 4 a 5 filhos. Cerca de 40% dos grupos possuem outros machos adultos também chamados de silverbacks, mas sempre terá o dominante. Todos respeitam a hierarquia baseada na idade. Às vezes, o segundo ou terceiro silverback abandona a família para tentar construir a sua própria, mas para isso ele tem que brigar com outras famílias para conseguir roubar as fêmeas! Muitas vezes isso resulta na morte de algum macho. Esse padrão de agrupamento do tipo harém, presumivelmente, é para fornecer proteção às fêmeas contra machos invasores. Os gorilas guardam sua família e não território. Quando se encontram com outros grupos, há demonstrações de rugidos, pancadas no peito, tremores de plantas, avanços (“charging”) e até brigas entre os machos dominantes. A batida no peito é realizada por qualquer membro do grupo e é uma ocorrência frequente. Caso contrário, os gorilas têm uma gama modesta de grunhidos, rosnados e choramingos, enquanto fêmeas e filhotes geralmente ficam quietos.

A prole é gerada pelo silverback dominante ou de segundo ranking. Os machos são sexualmente ativos de 11 a 25 anos. Um único macho geralmente monopoliza a reprodução em seu grupo, mas as fêmeas podem copular com machos dominantes e subordinados. As fêmeas dão à luz primeiro aos 10 anos de idade. A gestação dura aproximadamente 9 meses, assim como os humanos. O intervalo entre nascimentos é de aproximadamente 4 anos. Uma fêmea só pode ter de 4 a 6 bebês numa vida e gêmeos são muito raros. No Volcanoes National Park, tiveram apenas 9 gêmeos em toda a história do parque! Apenas 3 estão vivos hoje. Um gorila costuma viver por 35 a 45 anos. De 0 a 4 anos é considerado um bebê, de 8 a 12 os jovens machos são chamados de black backs (ainda não totalmente desenvolvidos), e a partir dos 12 anos os machos viram silverbacks. É fácil identificar o silverback, pois ele tem uma faixa cinza nas costas, por isso o nome. Os machos são maiores que as fêmeas e pesam em média 180 kg. Ao contrário do que muitos pensam, gorilas são vegetarianos e comem cerca de 30 kg de folhas por dia! É muita comida! Kkk. Quando não estão comendo, estão brincando ou dormindo – gorilas dormem 13 horas por dia! O nariz do gorila é sua impressão digital, o que diferencia um do outro. Como outros grandes macacos, os gorilas geralmente constroem ninhos noturnos individuais, quase sempre no chão.

Após receber todas as instruções, seguimos de carro por 25 minutos com o nosso motorista até o início da trilha, onde o grupo se reencontrou. Lá recebemos walking sticks para ajudar na trilha (essenciais) e contratamos 4 porters (um para cada).  Uma das perguntas que mais recebi pelo Instagram na época foi sobre a quantidade de “guias” conosco na trilha. Na verdade, tem um guia só! Fora ele, tem um “gun man” e o resto são “porters”. O “gun man” é uma pessoa armada que nos acompanha na trilha até chegarmos nos trackers. Todo grupo tem um para proteção contra búfalos e eventualmente elefantes que podem aparecer no meio da trilha até os gorilas. É apenas para assustar e proteger caso aconteça algo com esses animais. Não é para proteger dos gorilas, até porque, quando chegamos no local onde a família está, o gun man e os porters ficam para trás e entramos na mata apenas com o guia e os trackers, nenhum deles armados! A única coisa que os trackers carregam é um facão para ir abrindo caminho pelo mato! Muitas vezes os gorilas estão em mata fechada, então sem alguém para abrir caminho a gente não chegaria nunca neles! Lembrando mais uma vez que não existe uma trilha certo demarcada até o local onde eles estão. Eles ficam mexendo e você tem que ir atrás mesmo, andando no meio da mata fechada! Além do gun man e dos trackers, é possível contratar também “porters” para acompanhar você. Eles são essenciais para ajudar você na trilha e também carregam a sua mochila, o que ajuda, especialmente se estiver com uma câmera e super lente pesada como eu! Kkk. Eu recomendo super contratar um porter para cada pessoa. Faz toda a diferença e ao mesmo tempo você estará ajudando a comunidade local empregando eles. A trilha não tem demarcação, é íngreme, no meio da floresta, então todo apoio é bem vindo! Cada porter custa USD 10. Todo mundo acaba contratando um, por isso parece que tem um monte de guia. Dá para contratar quantos você quiser. Pessoas com maior dificuldade de locomoção, recomendo contratar dois!

Começamos o trekking às 8h15.  Cerca de 1h30 depois, finalmente chegamos na entrada do Volcanoes National Park. Poderia ter levado menos tempo, a trilha era fácil, mas o ritmo do nosso grupo estava extremamente lento e você tem que respeitar e andar todo mundo junto. No momento que você está dentro do parque, você está ao mesmo tempo dentro de Ruanda, Uganda e DRC. Surpreendentemente, não fez calor e não tinha mosquitos na trilha! Achei que estaria muito calor e muito úmido, fui super preparada hahaha, mas por causa da altitude, a temperatura estava perfeita e não tem muito mosquito! Ainda bem! Passamos pelo bambuzal e às 11h finalmente chegamos nos gorilas! A partir do momento que encontramos a família de gorilas, temos apenas 1h para observá-los. Esse é o tempo máximo permitido. Uma hora pode parecer muita coisa, mas eu juro que quando você está lá, VOA! Passa num piscar de olhos! É muita emoção a adrenalina! Os protocolos de visualização de gorilas, baseados nas diretrizes da IUCN, são projetados especificamente para limitar o estresse, o impacto comportamental e a transmissão potencial de doenças de humanos para gorilas. Eles são críticos para a conservação dos gorilas, então é muito importante seguir todas as regras do parque e obedecer a seu guia. Muito importante: os gorilas nunca devem ser visitados por pessoas com sinais de infecção, portanto, se você não se sentir bem, tiver diarreia ou dor de garganta, por favor informe-o ao seu guia antes. Use roupas e sapatos de trekking limpos para cada visita e lave as mãos com cuidado ou use um desinfetante antes e depois de cada trekking, pois as doenças humanas podem matar gorilas! Evite tossir e espirrar na presença dos gorilas – se necessário, cubra a sua boca! O ideal é você ficar a 7 metros de distância dos gorilas (essa é a regra geral), mas nem sempre isso é possível, especialmente quando a mata é muito fechada. Eles também costumam a chegar perto porque são curiosos, mas o certo é sempre manter a sua distância, se afastando para trás quando necessário. O guia e os trackers vão orientando e avisando o que fazer ao longo da visita. Os pequenos são bem curiosos e podem tentar interagir. Alguns jovens também são bem brincalhões, mas sob hipótese alguma podemos encostar neles, mesmo se eles nos tocarem. É proibido apontar o seu dedo para o gorila também.

As 12 famílias que podemos visitar são habituadas a humanos então por isso é possível chegar tão perto dos gorilas. Os trackers e o guia se comunicam com eles através de sons feitos com a boca para avisar da nossa chegada e tranquilizá-los de que não há perigo ou ameaça. Os barulhos você pode ver no meu Instagram, nos destaques de Ruanda! Eles são tão habituados que não ficam nem o barulho das câmeras os assustam. Mesmo assim, é preciso falar bem baixo e cochichar. Veja bem, os gorilas são selvagens e você está no território deles, então todo cuidado é pouco. Se por acaso algum ficar agressivo e correr atrás de alguém (“charge”), você precisa recuar imediatamente, agachar no chão e assumir uma posição submissa: abaixar a cabeça, ficar imóvel, não olhar para eles e emitir os sons que sinalizam “amigo”! O guia ensina você a fazer esses sons antes, não se preocupem! Kkk. Não pode correr de jeito nenhum! A verdade é que na hora você nem sabe o que está acontecendo e só vai seguindo as orientações do pessoal. Eu estava em transe tentando absorver ao máximo tudo e tirando 50 mil fotos. Uma dica importante: no primeiro dia eu levei a minha câmera apenas com a lente menor (18-55mm) e nunca me arrependi tanto! Por achar que estaria tão perto deles, e não querendo carregar muito peso nas costas, eu optei por deixar a lente mais potente em casa, mas erro meu. A lente menor não conseguia focar de jeito nenhum e acabei tendo que tirar as fotos apenas com o meu celular. Não é a mesma coisa e a diferença das fotos do primeiro dia para o segundo dia são nítidas. Vocês vão ver abaixo. Levem a lente maior!

Me perguntaram muito sobre a duração e a dificuldade das trilhas, então acho importante explicar direitinho. A duração de uma trilha e o nível de dificuldade varia de acordo com a localização da família de gorilas. O problema é que você não escolhe! Os gorilas fazem um novo ninho todos os dias porque são muito bagunceiros, ou seja, eles nunca estão no mesmo lugar. Um grupo pode se deslocar até 6 km por dia. Lembra que eu falei que os trackers ficam para trás com os gorilas quando nossos 60 minutos acabam? Pois bem, eles ficam para trás para acompanhar a família até o final do dia para ver aonde eles vão montar os ninhos para dormir à noite. Dessa maneira, na manhã seguinte, é mais fácil de localizá-los, mesmo que já tenham se deslocado um pouco do local. Os trackers vão bem cedinho antes da gente para encontrar as famílias e depois passam as coordenadas via radio para cada guia. A boa notícia é que não existe a menor chance de você não ver nenhum gorila! Hahaha. Você pode até demorar HORAS, mas uma hora você chega neles! Com a informação dos trackers sobre a localização de cada família, é possível determinar quais trilhas são mais difíceis. Uma trilha é mais difícil porque ela é mais íngreme, mais longa, de maior altitude ou porque os gorilas estão num local de difícil acesso (mata muito fechada). Nem sempre a mais curta é a mais fácil, por exemplo. Além disso, uma trilha considerada “fácil” pode ser muito puxada para alguém que não está muito em forma. Vi de perto as dificuldades que muitas pessoas tiveram, inclusive jovens triatletas! Por isso, não recomendaria o trekking para idosos e para quem não está em boa forma! É possível? Sim, é possível, mas a pessoa vai sofrer e vai atrasar todo o grupo. Acaba atrapalhando a experiência dos outros também. Para ser bem sincera, nunca ouvi ninguém dizer que fizeram uma trilha fácil! Não se esqueçam que como o nome diz, eles são mountain gorillas, portanto, para vê-los, você precisa subir a montanha! Kkk. Não tem escapatória! O que pode ser feito é conversar com o seu guia/motorista (não o guia da trilha) para que ele tente conseguir alguma mais fácil durante a triagem na sede, mas não é garantido. A verdade é que é uma verdadeira roleta russa! Kkk. De todo jeito, de um modo geral, não existe uma subida mais curta que 1h – arrisco em dizer até 1h30. Além disso, é preciso computar também o tempo que leva para ir da sede até o ínicio da trilha, que pode variar entre 20 minutos a 1h30! Os gorilas também são imprevisíveis, então eles podem estar pertos no começo, mas terem mexido muito até você chegar neles. Tudo isso aumenta o tempo de duração da trilha. Vale lembrar que o ritmo do seu grupo também dita o seu pace. No primeiro dia levamos 2h30 para chegar na família porque o ritmo do grupo estava bem devagar! No segundo dia levamos 1h20, mas a trilha era muito mais difícil!

A volta da trilha foi bem mais rápida – levamos apenas 50 minutos para descer. Pegamos um pouco de chuva (é super normal). Ao total foram 8 km de caminhada (não é muito) e chegamos de volta na base por volta das 13h. Antes de entrar no carro e voltar para o hotel, tivemos que pagar as gorjetas para todo pessoal que nos acompanhou. Na verdade, a gorjeta dos trackers você dá lá no topo mesmo, quando os 60 minutos se encerram, pois, eles continuam lá com os gorilas e não descem de volta. Para o guia, o certo é pagar USD 10-20 por pessoa. Ou seja, se você estiver em 4 pessoas, vocês terão que pagar USD 40-80 em gorjeta para o seu guia. Cada porter recebe USD 10. Para os trackers, cada pessoa paga USD 10 em gorjeta e eles dividem entre si. Outra dica: leve o dinheiro já trocado para facilitar nessa hora. Não preciso nem dizer que eu estava completamente EXAUSTA após a trilha!! A sorte é que nosso hotel era perto então não demoramos muito para chegar. Almoçamos e depois eu capotei! Acho que é uma mistura de cansaço física com cansaço emocional de toda adrenalina…só sei que eu estava morta! Hahaha. Ah, tem um detalhe incrível que preciso mencionar: todo dia o hotel oferece gratuitamente uma massagem relaxante nos ombros e no pescoço por 20 minutos. As massagistas vêm no seu quarto depois que você chega do trekking. É incrível! Hahaha. Passei o resto do dia relaxando no quarto e lendo um livro, maravilhoso por sinal, que comprei na lojinha do hotel sobre Ruanda. No final do dia tomamos um drink no bar novamente, jantamos e dormimos cedo para nos preparar para o trekking do dia seguinte. Outro detalhe bacana do hotel: quando voltamos, encontramos na porta do quarto dois pés de African Redwood, a árvore mais característica das montanhas Virunga e uma espécie-chave do plano de reflorestamento da Wilderness Safari, para cada hóspede plantar. A árvore tem vida longa, cerca de 250 anos, durante o período em qual ela absorverá carbono, soltando oxigênio em troca. Achei muito legal essa iniciativa de convidar os hóspedes a serem parte dessa visão de reflorestamento e reabilitação.

DAY 11

Na manhã seguinte foi a mesma rotina do dia anterior: me arrumei, tomei café e fomos para a sede do parque para fazer a triagem e descobrir qual família de gorilas iríamos ver. Fomos designados para a família Umubano, cujo nome significa cooperação na língua local. Dessa vez a nossa guia era uma mulher, a Odile, muito simpática. A família Umubano é composta de 13 membros, e diferente da Muhoza, tem 3 silverbacks ao invés de um! Além disso, tem bastante black backs (machos jovens), as fêmeas e alguns bebês. Depois das orientações, seguimos de carro para o início da trilha, um local diferente do dia anterior. O trajeto levou cerca de 40 minutos, então um pouco mais longe. Chegando lá, contratamos um porter cada um e começamos a trilha às 8h50. É impressionante como a trilha era totalmente diferente da outra em todos os sentidos – a vegetação, altitude, etc. A trilha foi bem mais difícil que a primeira. Sem a ajuda dos porters e dos walking sticks teria sido complicado…a trilha foi praticamente o tempo todo dentro da mata, bem fechada, extremamente íngreme, escorregadia e uma subida non-stop! Cansa! Kkk. Demoramos 1h20 para chegar nos gorilas.

O tamanho dos gorilas do segundo dia não se compara com o do primeiro dia – eles eram muito maiores! Além disso, o grupo estava bem ativo, se mexendo muito e toda hora surgia um de algum lugar inesperado. Mas com isso, vem mais emoção né?! Kkk. Os 60 minutos com eles foram BEM intensos, senti medo diversas vezes, pareceu mais “real”, não sei explicar. Me senti numa mistura do filme “Gorillas in the Mist”, Tarzan e King Kong! Hahaha. Vários gorilas avançaram, inclusive o silverback dominante (o que está na foto com a boca aberta assustadoramente kkk), um agarrou o braço de um dos trackers, avançaram na guia num primeiro momento, muitas vezes passaram raspando na gente e outro encostou na minha tia e logo em seguida deitou do lado de outra mulher, como se nada estivesse acontecendo. Uma hora fiquei rodeada por 5 gorilas! Tiveram muitos momentos de tensão, mas o segundo dia foi 100 vezes melhor que o primeiro, por isso eu falo da importância de fazer mais de um trekking se você puder. No primeiro dia eles estavam bem perto da entrada do Parque Nacional, então não tivemos que subir muito. Fora isso, estavam todos calmos, brincando um pouco e no meio do bambuzal, então conseguimos ver eles bem mantendo a distância de 7 metros. No segundo dia, a mata era tão densa e tão fechada, que era impossível manter essa distância. Muitas vezes eu cheguei a ficar a 1 metro dos gorilas, incluindo os silverbacks. Foi surreal! Ademais, a gente estava MUITO alto, no topo da montanha praticamente…a vista era linda e realmente me senti no habitat natural deles. O nosso tracker de hoje foi SENSACIONAL também e fez toda diferença! Como a mata era muito fechada e eles estavam bem ativos, o nosso grupo acabou se dividindo, então foi muito legal que éramos apenas 4 pessoas no meio de todos esses gorilas selvagens! Chega a ser “overwhelming” estar lá tão perto deles no meio da selva! Adrenalina nas alturas! Foi indescritível a sensação. Na verdade, eu acho que a ficha do que você acabou de viver só cai depois. Nunca vou esquecer – vai ficar para sempre na minha memória. Gente, vai por mim, não existe experiência mais autêntica e mais “savage” do que essa…juro!

Depois de ficar 1 hora com a família Umubano, começamos a descida às 11h25 e fizemos em tempo recorde – 25 minutos! Kkk. Na verdade, a gente estava com muita pressa porque tínhamos que pegar um voo saindo de Kigali, então nos separamos do grupo para poder descer mais rápido. A trilha do segundo dia foi mais curta, deu 7 km ida e volta, mas era 10 vezes mais difícil, por isso que eu falei que é difícil falar com precisão sobre a dificuldade ou a duração de uma trilha. Voltamos para o hotel rapidamente para almoçar e pegar as malas (já tinha deixado tudo pronto na noite anterior e antes de sair de manhã). Fomos direto para o aeroporto de Kigali do jeito que a gente estava, com a mesma roupa do trekking. Foram 3 horas de carro até Kigali e daí voamos de RwandAir para Nairobi, no Quênia, aonde iríamos pernoitar. O voo saía às 18h então você imagina a correria! Kkk. Uma dica: a segurança no aeroporto é bem acirrada, então reserve um tempinho extra para isso. Tem um security checkpoint antes de entrar no aeroporto, onde você precisa descer do carro, tirar tudo, ser revistado, passar no raio x, o carro também é inspecionado, para depois colocar tudo de volta e entrar dentro do aeroporto. E entrando dentro do aeroporto, é claro que tem mais um controle de segurança. Olha, de um modo geral, achei a segurança bem acirrada em todos os aeroportos da África. É tanto controle de segurança que chega a irritar, mas acho que é mais por causa do contrabando de marfim, etc. Enfim, foi tudo bem corrido e exaustivo, mas valeu a pena! Idealmente, não se faz o trekking no dia de ir embora, mas não tinha como não fazer um segundo concorda?! A única coisa que posso dizer para vocês é: se gorilla trekking em Ruanda ainda não está na sua #bucketlist, acho que merece entrar viu?! Foi mágico!

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